Sonetos
O ledo passarinho, que gorjeia
O ledo passarinho, que gorjeia
D'alma exprimindo a cândida ternura,
O rio transparente, que murmura,
E por entre pedrinhas serpenteia:
O sol, que o céu diáfano passeia,
A lua, que lhe deve a formosura,
O sorriso da aurora alegre e pura,
A rosa, que entre os zéfiros ondeia:
A serena, amorosa primavera,
O doce autor das glórias que consigo,
A deusa das paixões, e de Citera:
Quanto digo, meu bem, quanto não digo,
Tudo em tua presença degenera,
«Nada se pode comparar contigo.»