Sonetos
Meus dias, que já foram tão luzentes
Meus dias, que já foram tão luzentes,
Hoje da noute opaca irmãos parecem;
Meus dias miseráveis emurchecem
Longe do gosto, e longe dos viventes:
Horror das trevas, peso das correntes
Olhos, forças me abatem, me entorpecem:
E apenas por momentos me aparecem
Rostos sombrios de intratáveis entes:
Pagam-se da rugosa austeridade:
Antolha-se-lhe um crime, um atentado
Sofrer nos corações a humanidade:
Voai, voai do céu para meu lado,
Ah! Vinde, doce Amor, doce amizade,
Sou tão digno de vós, quão desgraçado.