Sonetos
Oh vós que lamentais d'Elmano a sorte
Oh vós que lamentais d'Elmano a sorte,
Crendo na escura terra o corpo frio,
E os manes já sulcando o mudo rio,
Na barca imensa de geral transporte:
Sabei que o doce, inevitável corte
Lhe foge da existência ao tênue fio;
E que seria em vós dever mais pio
Chorar-lhe a vida, que chorar-lhe a morte:
Existindo agoniza um desgraçado;
Quem lágrimas nas cinzas lhe derrama
Parece que o queria atormentado;
Vive, mas pela morte Elmano chama,
Com suspiros Elmano implora ao fado
Que seja voz de agouro a voz da fama.