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Sonetos

Minha alma se reparte em pensamentos

Minha alma se reparte em pensamentos
Todos escuros, todos pavorosos;
Pondero quão terríveis, quão penosos
São, existência minha, os teus momentos:
Dos males que sofri, cruéis, violentos,
A Amor, e aos Fados contra mim teimosos,
Outros inda mais tristes, mais custosos
Deduzo com fatais pressentimentos.
Rasgo o véu do futuro, e lá diviso
Novos danos urdindo Amor, e os Fados,
Para roubar-me a vida após do siso.
Ah! Vem, Marília, vem com teus agrados,
Com teu sereno olhar, teu brando riso
Furtar-me a fantasia a mil cuidados.

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