Sonetos
Não sinto me arrojasse o duro fado
Não sinto me arrojasse o duro fado
N'esta abóbada feia, horrenda, escura,
N'esta dos vivos negra sepultura,
Onde a luz nunca entrou do sol dourado:
Não me consterna o ver-me traspassado
Com mil golpes cruéis da desventura,
Porque bem sei que a frágil criatura
Raramente é feliz no mundo errado:
Não choro a liberdade, que enleiada
Tenho em férreas prisões, e a paz ditosa,
Que voou da minh'alma atribulada:
Só sinto que Marília rigorosa
Entre os braços de Aônio reclinada
Zombe da minha sorte lastimosa.