Sonetos
Oh terra, onde os seus dons, os seus favores
Oh terra, onde os seus dons, os seus favores
Derrama de áureo cofre a Natureza,
Que na estação de gelo, e da tristeza
Borda teus prados de verdura, e flores:
Oh clima dos heróis, e dos amores,
Esmalte e perfeição da redondeza,
Tu, que abrigas em ti tanta beleza,
Tantos olhos gentis, e encantadores:
Tu, que do grego errante e cauteloso,
Da mão que ao nada reduziu Dardânia,
Tens em teus campos monumento honroso:
D'eles todos, oh pátria, oh Lusitânia,
O do Tejo é mais ledo, é mais viçoso;
Graças ao riso da celeste Armânia.