Sonetos
Pela porta de ferro, onde ululando
Pela porta de ferro, onde ululando
O cão trifauce está perpetuamente
Entraste, Orfeu, co'a cítara eloquente
Os monstros infernais domesticando:
Penedos com teus sons amontoando
Lá ergues Tebas, Anfion cadente;
Pulsa Arion a lira, e de repente
Vê delfins, vê tritões no mar dançando:
Tu, linguagem do céu, tu, melodia,
A tudo encantas, para tudo és forte,
Menos para aplacar a ingrata Armia:
Mais fácil te há de ser, domando a sorte,
Ir de novo à tartárea monarquia
Ver outra vez o cárcere da morte!