Sonetos
Perdi tudo (ai de mim!) perdi Marfida
Perdi tudo (ai de mim!) perdi Marfida,
Marfida, a glória minha, a minha amada;
Tenra flor, a esperança malograda
Do mimoso matiz caiu despida:
Pede meu coração mortal ferida,
Só aos ditosos a existência agrada;
Vida entre angústias equivale ao nada,
No risonho prazer consiste a vida.
Eia, amante infeliz, teu fim procura!
Fantástico terror não te reporte,
Nos túmulos não reina a formosura.
Diga triste letreiro a minha sorte;
Dai-me piedosa sombra à sepultura
Teixos, ciprestes, árvores da morte.