Parte V · Capítulo 3
III. Esprit Liturgique.
III. Espírito Litúrgico.
Cette Vie liturgique, ô Jésus, suppose un attrait spécial pour tout ce qui se rapporte au culte.
Essa Vida litúrgica, ó Jesus, supõe uma atração especial por tudo o que se refere ao culto.
A certains vous avez donné gratuitement cet attrait. D'autres sont moins privilégiés. Mais s'ils vous le demandent, et s'aident de l'étude et de la réflexion, ils l'obtiendront.
A alguns destes gratuitamente essa atração. Outros são menos privilegiados. Mas, se vos pedirem essa atração e se valerem do estudo e da reflexão, eles a obterão.
La méditation que je ferai plus tard sur les avantages de la Vie liturgique accroîtra ma soif de l'acquérir coûte que coûte. Maintenant j'arrête mon esprit sur les caractères qui distinguent cette Vie et lui donnent ainsi une place importante dans la spiritualité.
A meditação que farei mais tarde sobre as vantagens da Vida litúrgica aumentará a minha sede de adquiri-la custe o que custar. Agora detenho o meu espírito nos caracteres que distinguem essa Vida e lhe dão assim um lugar importante na espiritualidade.
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S'unir, même de loin, avec l'Eglise, par la pensée et l'intention, à votre Sacrifice, ô Jésus ; fondre sa prière avec la Prière officielle et incessante de votre Eglise, que c'est grand déjà ! Le cœur du simple baptisé vole ainsi plus sûrement vers Dieu, porté par vos louanges, adorations, actions de grâces, réparations et demandes[6].
Unir-se, mesmo de longe, com a Igreja, pelo pensamento e pela intenção, ao vosso Sacrifício, ó Jesus; fundir a própria oração com a Oração oficial e incessante da vossa Igreja: como isso já é grande! O coração do simples batizado voa assim mais seguramente para Deus, levado pelos vossos louvores, adorações, ações de graças, reparações e pedidos[6].
Prendre une part active, ce sont les propres paroles de Pie X, et coopérer aux Saints Mystères et à la Prière publique et solennelle par une assistance pieuse et éclairée, par l'avidité à profiter des fêtes et des cérémonies, ou mieux encore en servant la Messe, en y répondant, ou en prêtant son concours à la récitation ou au chant des offices, n'est-ce pas le moyen d'entrer en communication plus directe avec la pensée de votre Eglise, et de puiser à sa source première et indispensable le véritable esprit chrétien[7]?
Tomar uma parte ativa, são as próprias palavras de Pio X, e cooperar nos Santos Mistérios e na Oração pública e solene por uma assistência piedosa e esclarecida, pela avidez em aproveitar as festas e as cerimônias, ou melhor ainda servindo a Missa, respondendo a ela, ou prestando o seu concurso à recitação ou ao canto dos ofícios, não é esse o meio de entrar em comunicação mais direta com o pensamento da vossa Igreja, e de haurir na sua fonte primeira e indispensável o verdadeiro espírito cristão[7]?
Mais, ô sainte Eglise, en vertu de l'ordination ou de la profession religieuse, se présenter chaque jour, uni aux Anges et aux Elus, comme votre Ambassadeur attitré, devant le trône de Dieu, pour exprimer la Prière officielle, quelle noble mission !
Mas, ó santa Igreja, em virtude da ordenação ou da profissão religiosa, apresentar-se cada dia, unido aos Anjos e aos Eleitos, como vosso Embaixador credenciado, diante do trono de Deus, para exprimir a Oração oficial: que nobre missão!
Dignité incomparablement plus sublime encore et au-dessus de toute expression, lorsque Ministre sacré, je deviens un autre Vous-même, ô mon divin Rédempteur, par l'administration des Sacrements et surtout par la célébration du Saint Sacrifice !
Dignidade incomparavelmente mais sublime ainda, e acima de toda expressão, quando, Ministro sagrado, me torno um outro Vós mesmo, ó meu divino Redentor, pela administração dos Sacramentos e sobretudo pela celebração do Santo Sacrifício!
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1er Principe : Membre de l'Eglise, je dois être convaincu que lorsque comme chrétien[8] je prends part à une cérémonie liturgique, je suis uni à toute l'Eglise, non seulement par la Communion des Saints, mais en vertu d'une coopération réelle et active à un acte de religion que l'Eglise, Corps mystique de Jésus-Christ, offre à Dieu comme Société. Et, par cette union, l'Eglise facilite maternellement la formation de mon âme aux vertus chrétiennes[9].
1º Princípio: Membro da Igreja, devo estar convencido de que, quando como cristão[8] tomo parte numa cerimônia litúrgica, estou unido à Igreja inteira, não somente pela Comunhão dos Santos, mas em virtude de uma cooperação real e ativa num ato de religião que a Igreja, Corpo místico de Jesus Cristo, oferece a Deus como Sociedade. E, por essa união, a Igreja facilita maternalmente a formação da minha alma nas virtudes cristãs[9].
Votre Eglise, ô Jésus, forme une Société parfaite dont les membres étroitement unis entre eux sont destinés à composer une Société plus parfaite encore et plus sainte : celle des Elus.
A vossa Igreja, ó Jesus, forma uma Sociedade perfeita, cujos membros, estreitamente unidos entre si, são destinados a compor uma Sociedade mais perfeita ainda e mais santa: a dos Eleitos.
Comme chrétien, je suis membre de ce Corps, dont vous êtes le Chef et la Vie. C'est ainsi que vous me considérez, divin Sauveur ; et je vous procure une joie spéciale quand me présentant à vous je vous considère comme mon Chef et me considère moi-même comme une des brebis de ce Bercail dont vous êtes l'unique Pasteur, et qui renferme dans son unité tous mes frères de l'Eglise militante, souffrante et triomphante.
Como cristão, sou membro desse Corpo, do qual vós sois a Cabeça e a Vida. É assim que vós me considerais, divino Salvador; e eu vos proporciono uma alegria especial quando, apresentando-me a vós, vos considero como minha Cabeça e me considero a mim mesmo como uma das ovelhas desse Redil do qual vós sois o único Pastor, e que encerra na sua unidade todos os meus irmãos da Igreja militante, padecente e triunfante.
Votre Apôtre m'enseigne cette doctrine qui dilate mon âme, et élargit ma spiritualité. Ainsi, dit-il, qu'en un seul corps nous avons plusieurs membres, ainsi tous ensemble, nous sommes un seul corps dans le Christ, membres les uns des autres[10]. De même que le corps est un, dit-il ailleurs, tout en ayant plusieurs membres, et que d'autre part tous ces membres quoiqu'ils soient plusieurs, ne forment qu'un seul corps, de même en est-il du Christ[11].
O vosso Apóstolo me ensina essa doutrina, que dilata a minha alma e alarga a minha espiritualidade. Assim como, diz ele, num só corpo temos muitos membros, assim todos juntos somos um só corpo em Cristo, membros uns dos outros[10]. Do mesmo modo que o corpo é um, diz ele noutro lugar, embora tenha muitos membros, e que, por outro lado, todos esses membros, embora sejam muitos, não formam senão um só corpo, assim também é com Cristo[11].
C'est là l'unité de votre Eglise indivisible dans son tout et dans ses parties, tout entière dans le tout et tout entière dans chacune de ses parties[12], unie dans le Saint-Esprit, unie à vous, ô Jésus, et, par cette union, introduite dans l'unique et éternelle Société du Père, du Fils et du Saint-Esprit[13].
Essa é a unidade da vossa Igreja, indivisível no seu todo e nas suas partes, inteira no todo e inteira em cada uma das suas partes[12], unida no Espírito Santo, unida a vós, ó Jesus, e, por essa união, introduzida na única e eterna Sociedade do Pai, do Filho e do Espírito Santo[13].
L'Eglise est l'assemblée des fidèles qui sous le gouvernement de la même autorité sont unis par la même foi et par la même charité, et tendent au même but, c'est-à-dire à l'incorporation au Christ, par les mêmes moyens qui se résument dans la grâce dont les canaux ordinaires sont la prière et les Sacrements.
A Igreja é a assembleia dos fiéis que, sob o governo da mesma autoridade, estão unidos pela mesma fé e pela mesma caridade, e tendem ao mesmo fim, isto é, à incorporação a Cristo, pelos mesmos meios, que se resumem na graça, cujos canais ordinários são a oração e os Sacramentos.
La grande prière, canal préféré de la grâce, c'est la prière liturgique, la prière de l'Eglise elle-même plus puissante que la prière des particuliers et même des pieuses associations, quelque puissantes et recommandées que soient dans l'Evangile la prière solitaire et la prière associée[14].
A grande oração, canal preferido da graça, é a oração litúrgica, a oração da própria Igreja, mais poderosa que a oração dos particulares e mesmo das piedosas associações, por mais poderosas e recomendadas que sejam no Evangelho a oração solitária e a oração em comum[14].
Incorporé à la véritable Eglise, enfant de Dieu et membre du Christ par le Sacrement de Baptême, j'acquiers le droit de participer aux autres sacrements, aux offices divins, aux fruits de la Messe, aux indulgences et aux prières de l'Eglise. Je puis bénéficier de toutes les grâces et de tous les mérites de mes frères.
Incorporado à verdadeira Igreja, filho de Deus e membro de Cristo pelo Sacramento do Batismo, adquiro o direito de participar dos outros sacramentos, dos ofícios divinos, dos frutos da Missa, das indulgências e das orações da Igreja. Posso beneficiar-me de todas as graças e de todos os méritos dos meus irmãos.
Par le Baptême, je suis marqué d'un caractère indélébile qui me députe au culte de Dieu d'après le rite de la religion chrétienne[15]. Par la consécration baptismale, je deviens membre du royaume de Dieu et fais partie de la race choisie, du sacerdoce royal, du peuple saint[16].
Pelo Batismo, sou marcado com um caráter indelével que me deputa ao culto de Deus segundo o rito da religião cristã[15]. Pela consagração batismal, torno-me membro do reino de Deus e faço parte da raça escolhida, do sacerdócio real, do povo santo[16].
Dès lors, je participe comme chrétien au ministère sacré, quoique d'une manière éloignée et indirecte, par mes prières, par ma part d'offrande, par mon concours au sacrifice de la Messe et aux offices liturgiques, en multipliant par la pratique des vertus, comme le recommande saint Pierre les sacrifices spirituels, en accomplissant toute chose en vue de plaire à Dieu et de m'unir à lui, et en faisant de mon corps une hostie vivante, sainte et agréable à Dieu[17]. C'est ce que vous me faites comprendre, ô sainte Eglise, quand par le prêtre vous dites aux fidèles : Orate fratres ut meum ac vestrum sacrificium acceptabile fiat... Le prêtre dit aussi dans le Canon : Souvenez-vous, Seigneur... de ceux qui sont ici... pour qui nous vous offrons ou qui vous offrent ce sacrifice de louange. Et plus loin : Recevez, Seigneur, avec bonté, nous vous en prions, cette offrande que nous vous faisons, moi votre serviteur et toute votre famille[18].
Desde então, participo, como cristão, do ministério sagrado, embora de maneira remota e indireta, pelas minhas orações, pela minha parte de oferta, pelo meu concurso ao sacrifício da Missa e aos ofícios litúrgicos, multiplicando, pela prática das virtudes, como recomenda são Pedro, os sacrifícios espirituais, fazendo todas as coisas com o fim de agradar a Deus e de me unir a ele, e fazendo do meu corpo uma hóstia viva, santa e agradável a Deus[17]. É o que me fazeis compreender, ó santa Igreja, quando, pelo padre, dizeis aos fiéis: Orate fratres ut meum ac vestrum sacrificium acceptabile fiat... O padre diz também no Cânon: Lembrai-vos, Senhor... daqueles que aqui estão... pelos quais nós vos oferecemos, ou que vos oferecem este sacrifício de louvor. E mais adiante: Recebei, Senhor, com bondade, nós vos rogamos, esta oferenda que vos fazemos, eu, vosso servo, e toda a vossa família[18].
La sainte Liturgie, en effet, est tellement l'œuvre commune de toute l'Eglise, c'est-à-dire du sacerdoce et du peuple, que le mystère de cette unité y est toujours réellement présent par la force indestructible de la Communion des Saints proposée à notre foi dans le Symbole des Apôtres. L'office divin et la sainte Messe qui est la partie principale de la Liturgie ne peuvent se célébrer sans que l'Eglise tout entière n'y soit associée et mystérieusement présente[19].
A santa Liturgia, com efeito, é de tal modo a obra comum de toda a Igreja, isto é, do sacerdócio e do povo, que o mistério dessa unidade está nela sempre realmente presente pela força indestrutível da Comunhão dos Santos, proposta à nossa fé no Símbolo dos Apóstolos. O ofício divino e a santa Missa, que é a parte principal da Liturgia, não podem celebrar-se sem que a Igreja inteira lhes esteja associada e misteriosamente presente[19].
Aussi dans la Liturgie, tout se fait-il en commun, au nom de tous, pour le profit de tous. Toutes les prières s'y disent au pluriel.
Por isso, na Liturgia, tudo se faz em comum, em nome de todos, para proveito de todos. Todas as orações se dizem nela no plural.
De ce lien étroit qui unit tous les membres entre eux par la même foi et la participation aux mêmes sacrements naît dans les âmes la charité fraternelle, marque distinctive de ceux qui veulent être les imitateurs de Jésus-Christ et marcher à sa suite : A l'amour que vous aurez les uns pour les autres, on reconnaîtra que vous êtes mes disciples[20]. Ce lien entre les membres de l'Eglise se resserre d'autant plus que ceux-ci participent davantage par la Communion des Saints à la grâce et à la charité du Chef qui leur communique la Vie surnaturelle et divine.
Desse laço estreito que une todos os membros entre si pela mesma fé e pela participação nos mesmos sacramentos nasce nas almas a caridade fraterna, marca distintiva daqueles que querem ser os imitadores de Jesus Cristo e andar no seu seguimento: Pelo amor que tiverdes uns aos outros, reconhecerão que sois meus discípulos[20]. Esse laço entre os membros da Igreja estreita-se tanto mais quanto mais eles participam, pela Comunhão dos Santos, da graça e da caridade da Cabeça, que lhes comunica a Vida sobrenatural e divina.
Ces vérités sont le fondement de la Vie liturgique. Celle-ci, à son tour, m'y ramène constamment.
Essas verdades são o fundamento da Vida litúrgica. Esta, por sua vez, me reconduz a elas constantemente.
Quel amour pour vous, sainte Eglise de Dieu, cette pensée allume dans mon cœur : Je suis un de vos membres ; je suis le membre du Christ ! Quel amour elle me donne pour tous les chrétiens puisqu'ils sont mes frères et que nous ne faisons plus qu'un dans le Christ ! Quel amour pour mon divin Chef Jésus-Christ !
Que amor por vós, santa Igreja de Deus, este pensamento acende no meu coração: Sou um dos vossos membros; sou membro de Cristo! Que amor ele me dá por todos os cristãos, pois são meus irmãos e já não fazemos senão um em Cristo! Que amor pela minha divina Cabeça, Jesus Cristo!
Rien de ce qui vous concerne ne saurait me laisser indifférent. Triste, si je vous vois persécutée, je me réjouis au récit de vos conquêtes et de vos triomphes.
Nada do que vos diz respeito poderia deixar-me indiferente. Triste se vos vejo perseguida, alegro-me com a narrativa das vossas conquistas e dos vossos triunfos.
Quelle joie de penser qu'en me sanctifiant, je contribue à augmenter votre beauté et travaille à la sanctification de tous les enfants de l'Eglise mes frères, et même au salut de la grande famille humaine !
Que alegria pensar que, santificando-me, contribuo para aumentar a vossa beleza e trabalho para a santificação de todos os filhos da Igreja, meus irmãos, e até para a salvação da grande família humana!
O sainte Eglise de Dieu, je veux, autant qu'il dépend de moi, que vous soyez et plus belle, et plus sainte, et plus nombreuse : la splendeur de votre ensemble résultant de la perfection de chacun de vos enfants fondus en cette solidarité étroite qui fut la pensée mère de la prière de Jésus après la Cène et le vrai testament de son Cœur : Ut sint unum !... Ut sint consummati in unum[21] !
Ó santa Igreja de Deus, quero, tanto quanto de mim depende, que sejais mais bela, e mais santa, e mais numerosa: o esplendor do vosso conjunto resultante da perfeição de cada um dos vossos filhos, fundidos nessa solidariedade estreita que foi a ideia-mãe da oração de Jesus depois da Ceia e o verdadeiro testamento do seu Coração: Ut sint unum!... Ut sint consummati in unum[21]!
Quelle estime je sens en moi pour votre Prière liturgique, ô Eglise, ma Mère ! Puisque je suis l'un de vos membres, elle est aussi ma prière, alors surtout que j'y assiste ou y coopère. Tout ce que vous avez est à moi et tout ce que j'ai vous appartient.
Que estima sinto em mim pela vossa Oração litúrgica, ó Igreja, minha Mãe! Pois que sou um dos vossos membros, ela é também a minha oração, sobretudo quando assisto a ela ou nela coopero. Tudo o que tendes é meu, e tudo o que tenho vos pertence.
Une goutte d'eau n'est rien. Unie à l'océan, elle participe à sa puissance et à son immensité. Ainsi en est-il de ma prière unie à la vôtre. Aux yeux de Dieu pour qui tout est présent et dont le regard embrasse à la fois le passé, le présent et le futur, elle ne fait qu'un avec ce concert universel de louanges que vous faites monter depuis votre commencement et continuerez de faire monter jusqu'à la fin des temps vers le trône de l'Eternel.
Uma gota d'água não é nada. Unida ao oceano, participa do seu poder e da sua imensidão. Assim acontece com a minha oração unida à vossa. Aos olhos de Deus, para quem tudo é presente e cujo olhar abrange ao mesmo tempo o passado, o presente e o futuro, ela não faz senão um com esse concerto universal de louvores que fazeis subir desde o vosso começo e continuareis a fazer subir até o fim dos tempos para o trono do Eterno.
Vous voulez, ô Jésus, que ma piété soit à certains égards utilitaire, besogneuse et intéressée.
Quereis, ó Jesus, que a minha piedade seja, sob certos aspectos, utilitária, necessitada e interessada.
Mais vous m'avez appris par l'ordre des demandes du Pater combien vous désirez que ma piété soit d'abord consacrée à louer Dieu[22], et que loin d'être égoïste, étroite et isolée, elle me fasse embrasser dans mes supplications tous les besoins de mes frères.
Mas vós me ensinastes, pela ordem dos pedidos do Pater, quanto desejais que a minha piedade seja antes de tudo consagrada a louvar a Deus[22], e que, longe de ser egoísta, estreita e isolada, ela me faça abraçar nas minhas súplicas todas as necessidades dos meus irmãos.
Facilitez-moi par la Vie liturgique cette piété élevée et généreuse qui, sans détriment du combat spirituel, donne à Dieu, et largement, la louange ; cette piété charitable, fraternelle et catholique qui enveloppe toutes les âmes et s'intéresse à toutes les sollicitudes de l'Eglise.
Facilitai-me, pela Vida litúrgica, essa piedade elevada e generosa que, sem detrimento do combate espiritual, dá a Deus, e largamente, o louvor; essa piedade caridosa, fraterna e católica, que envolve todas as almas e se interessa por todas as solicitudes da Igreja.
C'est votre mission, ô sainte Eglise, d'engendrer sans cesse de nouveaux enfants à votre divin Epoux et de les élever in mensuram ætatis plenitudinis Christi[23]. C'est donc que vous avez reçu, et abondamment, tous les moyens de réaliser ce but. L'importance que vous attachez à la Liturgie prouve son efficacité pour m'initier à la louange divine et développer mes progrès spirituels.
É a vossa missão, ó santa Igreja, gerar sem cessar novos filhos para o vosso divino Esposo e educá-los in mensuram ætatis plenitudinis Christi[23]. Quer dizer, pois, que recebestes, e abundantemente, todos os meios de realizar esse fim. A importância que dais à Liturgia prova a sua eficácia para me iniciar no louvor divino e desenvolver os meus progressos espirituais.
Pendant sa vie publique, Jésus parlait comme ayant autorité[24]. C'est ainsi que vous aussi vous parlez, ô sainte Eglise ma Mère. Dépositaire du trésor de la vérité, vous avez conscience de votre mission. Dispensatrice du Sang rédempteur, vous connaissez toutes les ressources de sanctification que le divin Sauveur vous a confiées.
Durante a sua vida pública, Jesus falava como quem tem autoridade[24]. É assim que também vós falais, ó santa Igreja, minha Mãe. Depositária do tesouro da verdade, tendes consciência da vossa missão. Dispensadora do Sangue redentor, conheceis todos os recursos de santificação que o divino Salvador vos confiou.
Vous ne vous adressez pas à ma raison pour me dire : Examine, étudie. Vous faites appel à ma foi en me disant : Aie confiance en moi. Ne suis-je pas ta Mère? Et qu'est-ce que je désire plus que de te voir croître chaque jour en ressemblance avec ton divin Modèle? Or, qui connaît mieux le Christ que moi qui suis son Epouse? Où donc trouveras-tu mieux l'esprit de ton Rédempteur que dans la Liturgie, expression authentique de mes pensées et de mes sentiments?
Não vos dirigis à minha razão para me dizer: Examina, estuda. Apelais para a minha fé, dizendo-me: Confia em mim. Não sou eu a tua Mãe? E que desejo eu mais do que ver-te crescer cada dia em semelhança com o teu divino Modelo? Ora, quem conhece melhor o Cristo do que eu, que sou a sua Esposa? Onde, pois, acharás melhor o espírito do teu Redentor do que na Liturgia, expressão autêntica dos meus pensamentos e dos meus sentimentos?
Oui, Mère sainte et aimée, je me laisserai conduire et former par vous avec la simplicité et la confiance d'un enfant, en me disant : C'est avec ma Mère que je prie. Ce sont ses propres paroles qu'elle met sur mes lèvres afin de me pénétrer de son esprit et de faire passer ses sentiments dans mon cœur.
Sim, Mãe santa e amada, eu me deixarei conduzir e formar por vós com a simplicidade e a confiança de uma criança, dizendo a mim mesmo: É com a minha Mãe que eu rezo. São as suas próprias palavras que ela põe nos meus lábios, a fim de me penetrar do seu espírito e de fazer passar os seus sentimentos para o meu coração.
Avec vous donc, ô sainte Eglise, avec vous je me réjouirai : gaudeamus, exultemus ; avec vous je gémirai : ploremus ; avec vous je louerai : confitemini Domino ; avec vous j'implorerai miséricorde : miserere ; avec vous j'espérerai : speravi, sperabo ; avec vous j'aimerai : diligam. Avec ardeur je m'associerai aux demandes que vous formulez dans vos admirables oraisons afin que les salutaires émotions que vous voulez faire jaillir des paroles et des rites sacrés pénètrent plus profondément dans mon cœur, le rendent plus souple aux touches de l'Esprit-Saint, et arrivent à fondre ma volonté dans celle de Dieu.
Convosco, pois, ó santa Igreja, convosco me alegrarei: gaudeamus, exultemus; convosco gemerei: ploremus; convosco louvarei: confitemini Domino; convosco implorarei misericórdia: miserere; convosco esperarei: speravi, sperabo; convosco amarei: diligam. Com ardor me associarei aos pedidos que formulais nas vossas admiráveis orações, a fim de que as salutares emoções que quereis fazer brotar das palavras e dos ritos sagrados penetrem mais profundamente no meu coração, o tornem mais dócil aos toques do Espírito Santo e cheguem a fundir a minha vontade na de Deus.
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2e Principe : Lorsque dans une fonction liturgique j'agis comme Représentant de l'Eglise[25], Dieu désire que je lui exprime ma vertu de Religion en ayant conscience du mandat officiel dont je suis honoré, et qu'ainsi uni de plus en plus à la vie de l'Eglise, je progresse dans toutes les vertus.
2º Princípio: Quando, numa função litúrgica, ajo como Representante da Igreja[25], Deus deseja que eu lhe exprima a minha virtude de Religião tendo consciência do mandato oficial com que sou honrado, e que assim, unido cada vez mais à vida da Igreja, eu progrida em todas as virtudes.
Représentant de votre Eglise, afin qu'en son nom et au nom de tous ses enfants j'offre incessamment à Dieu par Vous, ô Jésus, le sacrifice de la louange et de la supplication, je suis donc, selon la belle expression de saint Bernardin de Sienne, persona publica totius Ecclesiæ os[26].
Representante da vossa Igreja, para que em seu nome e em nome de todos os seus filhos eu ofereça incessantemente a Deus, por Vós, ó Jesus, o sacrifício do louvor e da súplica, sou, pois, segundo a bela expressão de são Bernardino de Sena, persona publica totius Ecclesiæ os[26].
A chaque fonction liturgique doit donc se produire dans ma personne comme un dédoublement semblable à celui qui a lieu dans un ambassadeur. Dans sa vie privée celui-ci n'est qu'un simple particulier. Mais lorsque, revêtu des insignes de sa charge, il parle ou agit au nom de son Prince, il devient au même instant le représentant, et, à certains égards, la personne même de son Souverain.
Em cada função litúrgica deve, pois, produzir-se na minha pessoa como que um desdobramento semelhante ao que se dá num embaixador. Na sua vida privada, este não é mais que um simples particular. Mas quando, revestido das insígnias do seu cargo, fala ou age em nome do seu Príncipe, torna-se no mesmo instante o representante e, sob certos aspectos, a própria pessoa do seu Soberano.
Ainsi en est-il de moi lorsque j'accomplis mes « fonctions » liturgiques. A mon être individuel s'ajoute une dignité qui me revêt d'un mandat public. Je puis et je dois alors me considérer comme le délégué, le député officiel de l'Eglise tout entière.
Assim acontece comigo quando cumpro as minhas «funções» litúrgicas. Ao meu ser individual se acrescenta uma dignidade que me reveste de um mandato público. Posso e devo então considerar-me como o delegado, o deputado oficial da Igreja inteira.
Si je prie, récite mon office, même en particulier, ce n'est plus seulement en mon propre nom. Les formules que j'emploie, ce n'est pas moi qui les choisis. C'est l'Eglise qui les met sur mes lèvres[27]. Dès lors, c'est l'Eglise qui prie par ma bouche, parle et agit par moi, comme le roi parle et agit par son ambassadeur. Je suis alors vraiment, selon la belle expression de saint Pierre Damien, l'Eglise tout entière[28]. Par moi l'Eglise s'unit à la divine Religion de Jésus-Christ et adresse à la Très Sainte Trinité l'adoration, l'action de grâces, la réparation et la supplication.
Se rezo, se recito o meu ofício, mesmo em particular, já não é somente em meu próprio nome. As fórmulas que emprego, não sou eu que as escolho. É a Igreja que as põe nos meus lábios[27]. Assim sendo, é a Igreja que reza pela minha boca, fala e age por mim, como o rei fala e age pelo seu embaixador. Sou então verdadeiramente, segundo a bela expressão de são Pedro Damião, a Igreja inteira[28]. Por mim, a Igreja se une à divina Religião de Jesus Cristo e dirige à Santíssima Trindade a adoração, a ação de graças, a reparação e a súplica.
Dès lors, si j'ai quelque conscience de ma dignité, comment pourrais-je commencer mon Bréviaire, par exemple, sans que s'opère dans mon être une action mystérieuse qui m'élève au-dessus de moi-même, au-dessus du cours naturel de mes pensées pour me jeter en plein dans la conviction que je suis comme un médiateur entre le Ciel et la terre[29]?
Por isso, se tenho alguma consciência da minha dignidade, como poderia eu começar o meu Breviário, por exemplo, sem que se opere no meu ser uma ação misteriosa que me eleva acima de mim mesmo, acima do curso natural dos meus pensamentos, para me lançar em cheio na convicção de que sou como um mediador entre o Céu e a terra[29]?
Quel malheur si j'oubliais ces vérités ! Les Saints en étaient pénétrés[30]. Ils en vivaient. Dieu attend de moi que je m'en souvienne quand j'exerce une fonction. L'Eglise, par la Vie liturgique, m'aide sans cesse à ne pas perdre de vue que je suis son Représentant, et Dieu exige qu'à ce titre corresponde dans la pratique une vie exemplaire[31].
Que desgraça se eu esquecesse essas verdades! Os Santos estavam penetrados delas[30]. Viviam delas. Deus espera de mim que eu me lembre delas quando exerço uma função. A Igreja, pela Vida litúrgica, ajuda-me sem cessar a não perder de vista que sou o seu Representante, e Deus exige que a esse título corresponda na prática uma vida exemplar[31].
O mon Dieu, pénétrez-moi d'une estime profonde pour cette mission que l'Eglise me confie. Quel stimulant j'y trouverai contre ma lâcheté dans le combat spirituel ! Mais aussi donnez-moi le sentiment de ma grandeur comme chrétien et accordez-moi pour votre Eglise une âme d'enfant, afin que je puisse profiter largement des trésors de vie intérieure accumulés dans la sainte Liturgie.
Ó meu Deus, penetrai-me de uma estima profunda por essa missão que a Igreja me confia. Que estímulo encontrarei nela contra a minha covardia no combate espiritual! Mas dai-me também o sentimento da minha grandeza como cristão e concedei-me, para com a vossa Igreja, uma alma de criança, a fim de que eu possa aproveitar largamente os tesouros de vida interior acumulados na santa Liturgia.
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3e Principe : Prêtre, je dois, lorsque je consacre l'Eucharistie ou administre les Sacrements, raviver ma conviction que je suis Ministre de Jésus-Christ, donc Alter Christus ; et tenir pour certain qu'il dépend de moi de trouver dans l'exercice de mes fonctions des grâces spéciales pour acquérir les vertus exigées par mon Sacerdoce[32].
3º Princípio: Padre, devo, quando consagro a Eucaristia ou administro os Sacramentos, reavivar a minha convicção de que sou Ministro de Jesus Cristo, portanto Alter Christus; e ter por certo que depende de mim encontrar no exercício das minhas funções graças especiais para adquirir as virtudes exigidas pelo meu Sacerdócio[32].
Vos fidèles, ô Jésus, forment un seul Corps, mais dans ce Corps tous les membres n'ont pas les mêmes attributions[33]. Divisiones gratiarum sunt[34].
Os vossos fiéis, ó Jesus, formam um só Corpo, mas nesse Corpo nem todos os membros têm as mesmas atribuições[33]. Divisiones gratiarum sunt[34].
Ayant voulu laisser visiblement votre Sacrifice à l'Eglise, vous lui avez confié un Sacerdoce dont le but principal est de continuer votre immolation sur l'autel, puis de distribuer votre Sang par les Sacrements et de sanctifier votre Corps mystique en y répandant votre Vie divine.
Tendo querido deixar visivelmente o vosso Sacrifício à Igreja, vós lhe confiastes um Sacerdócio cujo fim principal é continuar a vossa imolação sobre o altar, e depois distribuir o vosso Sangue pelos Sacramentos e santificar o vosso Corpo místico, derramando nele a vossa Vida divina.
Souverain Prêtre, vous avez décidé de toute éternité de me choisir et consacrer pour votre Ministre afin d'exercer par moi votre Sacerdoce[35]. Vous m'avez communiqué vos pouvoirs afin d'accomplir par ma coopération[36] une œuvre plus grande que la création de l'univers, le miracle de la Transubstantiation, et de rester, par cette merveille, l'Hostie et la Religion de votre Eglise.
Sumo Sacerdote, vós decidistes desde toda a eternidade escolher-me e consagrar-me como vosso Ministro, a fim de exercer por mim o vosso Sacerdócio[35]. Comunicastes-me os vossos poderes, a fim de realizar com a minha cooperação[36] uma obra maior que a criação do universo, o milagre da Transubstanciação, e de permanecer, por essa maravilha, a Hóstia e a Religião da vossa Igreja.
Comme je comprends les expressions enthousiastes des Saints Pères pour dire la grandeur de la dignité sacerdotale[37] ! Leurs paroles me contraignent logiquement à me considérer, en vertu de la communication de votre Sacerdoce, comme un autre Vous-même : Sacerdos alter Christus.
Como compreendo as expressões entusiásticas dos Santos Padres para dizer a grandeza da dignidade sacerdotal[37]! As suas palavras obrigam-me logicamente a considerar-me, em virtude da comunicação do vosso Sacerdócio, como um outro Vós mesmo: Sacerdos alter Christus.
N'y a-t-il pas, en effet, identification entre Vous et moi, puisque Votre Personne et la mienne sont à ce point unies, que ces mots : Hoc est Corpus meum, Hic est calix Sanguinis mei, vous les faites vôtres, lorsque je les prononce[38]? Je vous prête mes lèvres, puisque sans mensonge je puis dire : Mon Corps, Mon Sang[39]. Il suffit que je veuille consacrer pour que vous le vouliez aussi. Votre volonté est fondue avec la mienne. Dans l'acte le plus grand que vous puissiez faire ici-bas, votre âme est liée à mon âme. Je vous prête ce qui est le plus à moi, ma volonté. Et la Vôtre aussitôt se fusionne avec la mienne.
Não há, com efeito, identificação entre Vós e mim, pois que a Vossa Pessoa e a minha estão a tal ponto unidas que estas palavras: Hoc est Corpus meum, Hic est calix Sanguinis mei, vós as fazeis vossas quando eu as pronuncio[38]? Eu vos empresto os meus lábios, pois sem mentira posso dizer: Meu Corpo, Meu Sangue[39]. Basta que eu queira consagrar para que vós o queirais também. A vossa vontade está fundida com a minha. No ato maior que podeis fazer neste mundo, a vossa alma está ligada à minha alma. Eu vos empresto o que é mais meu: a minha vontade. E a Vossa logo se funde com a minha.
C'est tellement Vous qui agissez par moi que si j'osais dire sur la matière du Sacrifice : Ceci est le Corps de Jésus-Christ, au lieu de : Ceci est mon Corps, la consécration serait invalide.
A tal ponto sois Vós que agis por mim, que, se eu ousasse dizer sobre a matéria do Sacrifício: Isto é o Corpo de Jesus Cristo, em vez de: Isto é o meu Corpo, a consagração seria inválida.
L'Eucharistie, c'est Vous-même, ô Jésus, sous les apparences du pain. Et chaque Messe ne vient-elle pas remettre en relief à mes yeux que le prêtre c'est Vous-même, ô Prêtre unique, sous les apparences d'un homme que vous avez choisi pour votre Ministre[40]?
A Eucaristia sois Vós mesmo, ó Jesus, sob as aparências do pão. E cada Missa não vem pôr de novo em relevo aos meus olhos que o padre sois Vós mesmo, ó Sacerdote único, sob as aparências de um homem que escolhestes para vosso Ministro[40]?
Alter Christus ! Je suis amené à revivre ce mot toutes les fois que je confère les autres Sacrements. Seul, vous pouvez dire en qualité de Rédempteur : Ego te baptizo, Ego te absolvo, et exercer ainsi un pouvoir aussi divin que celui de créer. Je profère moi aussi ces mêmes paroles. Et les Anges y sont plus attentifs qu'au Fiat qui féconda le néant[41], puisqu'elles sont capables, ô merveille ! de former Dieu dans une âme et de produire un Enfant de Dieu participant à la vie intime de la Divinité.
Alter Christus! Sou levado a reviver essa palavra todas as vezes que confiro os outros Sacramentos. Só vós podeis dizer, na qualidade de Redentor: Ego te baptizo, Ego te absolvo, e exercer assim um poder tão divino quanto o de criar. Eu também profiro essas mesmas palavras. E os Anjos estão mais atentos a elas do que ao Fiat que fecundou o nada[41], pois elas são capazes, ó maravilha!, de formar Deus numa alma e de produzir um Filho de Deus participante da vida íntima da Divindade.
A chaque fonction sacerdotale je crois vous entendre me dire : Comment, ô mon fils, pourrais-tu supposer que t'ayant fait Alter Christus par ces pouvoirs divins, je tolère que dans la direction habituelle de ta vie tu sois un « Sans Christ », ou même un « Contre-Christ »?
Em cada função sacerdotal, creio ouvir-vos dizer-me: Como, ó meu filho, poderias supor que, tendo-te feito Alter Christus por esses poderes divinos, eu tolere que, na direção habitual da tua vida, sejas um «Sem Cristo», ou mesmo um «Contra-Cristo»?
Quoi ! dans l'exercice de ces fonctions tu viens d'agir fondu avec moi. Et un instant après, ce serait Satan qui prendrait ma place pour faire de toi par le péché une sorte d'Antéchrist, ou qui t'endormirait au point de te faire délibérément oublier l'obligation de m'imiter et de travailler à te revêtir de moi, suivant l'expression de mon Apôtre ?
Pois quê! No exercício dessas funções acabas de agir fundido comigo. E, um instante depois, seria Satanás que tomaria o meu lugar para fazer de ti, pelo pecado, uma espécie de Anticristo, ou que te adormeceria a ponto de te fazer deliberadamente esquecer a obrigação de me imitar e de trabalhar para te revestires de mim, segundo a expressão do meu Apóstolo?
Absit ! Tu peux compter sur ma miséricorde lorsque la fragilité humaine est seule en jeu dans tes fautes journalières aussitôt regrettées et réparées. Mais accepter froidement un parti-pris d'infidélités, et revenir sans remords à tes fonctions sublimes serait exciter sûrement ma colère !
Absit! Podes contar com a minha misericórdia quando só a fragilidade humana está em jogo nas tuas faltas cotidianas, logo lamentadas e reparadas. Mas aceitar friamente um propósito deliberado de infidelidades, e voltar sem remorso às tuas funções sublimes, seria provocar com certeza a minha cólera!
Abîme entre tes fonctions et celles des prêtres de l'ancienne Loi. Et cependant si mes prophètes menaçaient Sion à cause des péchés du peuple ou de ses gouvernants, écoute ce qui résultait de la prévarication des prêtres : Complevit Dominus furorem suum, effudit iram indignationis suæ ; et succendit ignem in Sion, et devoravit fundamenta ejus... propter iniquitates sacerdotum ejus[42].
Abismo entre as tuas funções e as dos sacerdotes da antiga Lei. E, no entanto, se os meus profetas ameaçavam Sião por causa dos pecados do povo ou dos seus governantes, escuta o que resultava da prevaricação dos sacerdotes: Complevit Dominus furorem suum, effudit iram indignationis suæ; et succendit ignem in Sion, et devoravit fundamenta ejus... propter iniquitates sacerdotum ejus[42].
Aussi avec quelle rigueur mon Eglise interdit au prêtre de monter à l'autel ou de conférer les Sacrements, s'il reste sur sa conscience une seule faute mortelle !
Por isso, com que rigor a minha Igreja proíbe ao padre subir ao altar ou conferir os Sacramentos, se lhe resta na consciência uma só falta mortal!
Sous mon inspiration, elle va plus avant. Par ses rites, elle te met dans l'alternative de la piété ou de l'imposture. Tu dois te décider à vivre de la Vie intérieure, ou m'exprimer, du commencement à la fin de la Messe, ce que tu ne penses pas et me demander ce que tu ne désires pas. Esprit de componction et purification des moindres fautes, donc garde du cœur ; esprit d'adoration, donc de recueillement ; esprit de foi, d'espérance et d'amour, donc direction surnaturelle de la conduite extérieure et des œuvres, tout cela est lié intimement aux paroles sacrées et aux cérémonies.
Sob a minha inspiração, ela vai mais longe. Pelos seus ritos, ela te põe na alternativa da piedade ou da impostura. Tens de decidir-te a viver da Vida interior, ou a me exprimir, do começo ao fim da Missa, o que não pensas, e a me pedir o que não desejas. Espírito de compunção e purificação das menores faltas, portanto guarda do coração; espírito de adoração, portanto de recolhimento; espírito de fé, de esperança e de amor, portanto direção sobrenatural da conduta exterior e das obras: tudo isso está intimamente ligado às palavras sagradas e às cerimônias.
Je me rends compte, ô Jésus, que revêtir les ornements sacrés, sans être résolu à m'efforcer d'acquérir les vertus qu'ils symbolisent, serait une sorte d'hypocrisie. Je veux désormais que prostrations, signes, formules ne soient jamais un vain simulacre cachant vide, froideur, indifférence pour la vie intérieure et ajoutant à mes fautes celle d'une exhibition mensongère à la face de l'Eternel.
Dou-me conta, ó Jesus, de que revestir os paramentos sagrados, sem estar resolvido a esforçar-me por adquirir as virtudes que eles simbolizam, seria uma espécie de hipocrisia. Quero doravante que prostrações, sinais, fórmulas nunca sejam um vão simulacro que esconda vazio, frieza, indiferença pela vida interior, e que acrescente às minhas faltas a de uma exibição mentirosa diante do Eterno.
Qu'un saint tremblement s'empare donc de moi chaque fois que je m'approche de vos redoutables mystères et que je revêts les vêtements liturgiques. Que les prières dont j'accompagne cet acte, que les formules si pleines d'onction et de force du Missel et du Rituel m'invitent à scruter mon cœur afin de juger s'il s'harmonise vraiment avec le Vôtre, ô Jésus, par un désir loyal et efficace de vous imiter par la Vie intérieure.
Que um santo tremor se apodere, pois, de mim cada vez que me aproximo dos vossos tremendos mistérios e que visto as vestes litúrgicas. Que as orações com que acompanho esse ato, que as fórmulas tão cheias de unção e de força do Missal e do Ritual me convidem a sondar o meu coração, a fim de julgar se ele se harmoniza verdadeiramente com o Vosso, ó Jesus, por um desejo leal e eficaz de vos imitar pela Vida interior.
Arrière les subterfuges, ô mon âme, qui me feraient considérer comme suffisant d'être Alter Christus seulement pendant les fonctions sacrées, et croire qu'ensuite, pourvu que je ne sois pas un « Contre-Christ », je puis me dispenser de travailler à me revêtir de Jésus-Christ.
Fora com os subterfúgios, ó minha alma, que me levariam a considerar suficiente ser Alter Christus somente durante as funções sagradas, e a crer que depois, contanto que eu não seja um «Contra-Cristo», posso dispensar-me de trabalhar para me revestir de Jesus Cristo.
Non seulement Ambassadeur de Jésus crucifié, mais encore un autre Lui-même, je prétendrais m'embusquer dans une piété commode et me contenter de vertus bourgeoises !
Eu, não somente Embaixador de Jesus crucificado, mas ainda um outro Ele mesmo, pretenderia refugiar-me numa piedade cômoda e contentar-me com virtudes burguesas!
En vain voudrais-je me persuader que l'habitant des cloîtres est tenu plus que moi de faire des efforts pour imiter Jésus et acquérir la vie intérieure. Erreur profonde basée sur une confusion.
Em vão quereria eu persuadir-me de que o habitante dos claustros está obrigado, mais do que eu, a fazer esforços para imitar Jesus e adquirir a vida interior. Erro profundo, baseado numa confusão.
Pour tendre à la sainteté, le religieux s'oblige à prendre certains moyens : Vœux d'obéissance et de pauvreté, pratique de la Règle. Comme prêtre, je ne suis pas astreint à ces moyens, mais je suis tenu de poursuivre et de réaliser la même fin et à beaucoup plus de titres que l'âme consacrée à qui n'a pas été confiée la dispensation du Sang divin[43].
Para tender à santidade, o religioso se obriga a tomar certos meios: Votos de obediência e de pobreza, prática da Regra. Como padre, não estou sujeito a esses meios, mas sou obrigado a perseguir e a realizar o mesmo fim, e a muito mais títulos que a alma consagrada a quem não foi confiada a dispensação do Sangue divino[43].
Malheur donc à moi si je me berçais d'une illusion sans nul doute coupable, puisque pour la dissiper je n'ai qu'à consulter l'enseignement de l'Eglise et de ses Saints. Illusion dont la fausseté m'apparaîtrait au seuil de l'éternité.
Ai de mim, pois, se eu me embalasse numa ilusão sem dúvida alguma culpável, pois, para dissipá-la, não tenho mais que consultar o ensinamento da Igreja e dos seus Santos. Ilusão cuja falsidade me apareceria no limiar da eternidade.
Malheur à moi si je ne savais pas profiter de mes fonctions pour percevoir vos exigences, ou si je restais sourd à la voix que me font entendre les objets saints qui m'entourent : autel, confessionnal, fonts baptismaux, vases, linges et ornements sacrés. Imitamini quod tractatis[44]. Mundamini, qui fertis vasa Domini[45]. Incensum et panes offerunt Deo, et ideo sancti erunt[46].
Ai de mim se eu não soubesse aproveitar as minhas funções para perceber as vossas exigências, ou se ficasse surdo à voz que me fazem ouvir os objetos santos que me rodeiam: altar, confessionário, pia batismal, vasos, linhos e paramentos sagrados. Imitamini quod tractatis[44]. Mundamini, qui fertis vasa Domini[45]. Incensum et panes offerunt Deo, et ideo sancti erunt[46].
Je serais d'autant moins excusable de fermer l'oreille à ces appels, ô Jésus, que chacune de mes fonctions est l'occasion d'une grâce actuelle que vous m'offrez pour modeler mon âme à votre image et ressemblance.
Eu seria tanto menos desculpável, se fechasse os ouvidos a esses apelos, ó Jesus, quanto cada uma das minhas funções é ocasião de uma graça atual que me ofereceis para modelar a minha alma à vossa imagem e semelhança.
C'est l'Eglise qui sollicite cette grâce. C'est son cœur qui, jaloux de répondre à votre attente, me soigne comme la prunelle de l'œil. C'est Elle qui avant mon ordination m'a fait ressortir les graves conséquences de mon identification avec vous.
É a Igreja que solicita essa graça. É o seu coração que, zeloso de corresponder à vossa expectativa, cuida de mim como da menina dos olhos. Foi Ela quem, antes da minha ordenação, me fez ver as graves consequências da minha identificação convosco.
Impone, Domine, capiti meo galeam salutis, ad... Præcinge me cingulo puritatis... Ut indulgeris omnia peccata mea. Fac me tuis semper inhærere mandatis et a te numquam separari permittas, etc. Ce n'est plus moi seul qui fais ces demandes pour moi. Ce sont tous les vrais fidèles, toutes les âmes ferventes à Vous consacrées, tous les membres de la hiérarchie ecclésiastique qui font de ma pauvre prière leur propre prière. Leur cri s'élève vers votre Trône. C'est la voix de votre Epouse que vous percevez. Et lorsque, résolus de poursuivre la Vie intérieure, vos ministres harmonisent leur cœur avec leurs fonctions, ces supplications de votre Eglise pour eux, vous les exaucez toujours.
Impone, Domine, capiti meo galeam salutis, ad... Præcinge me cingulo puritatis... Ut indulgeris omnia peccata mea. Fac me tuis semper inhærere mandatis et a te numquam separari permittas, etc. Já não sou eu só que faço esses pedidos por mim. São todos os verdadeiros fiéis, todas as almas fervorosas a Vós consagradas, todos os membros da hierarquia eclesiástica, que fazem da minha pobre oração a sua própria oração. O seu clamor eleva-se até o vosso Trono. É a voz da vossa Esposa que percebeis. E, quando, resolvidos a buscar a Vida interior, os vossos ministros harmonizam o seu coração com as suas funções, essas súplicas da vossa Igreja por eles, vós as atendeis sempre.
Au lieu de m'exclure, par ma négligence volontaire, des suffrages que j'adresse à votre Père pour l'ensemble des fidèles, à l'occasion de la Messe ou de l'administration des Sacrements, je veux profiter de ces grâces, ô Jésus. A chacun de mes actes de Prêtre j'ouvrirai largement mon cœur à votre action. Vous y jetterez alors les lumières, les consolations et les énergies qui, en dépit des obstacles, me permettront d'identifier avec les vôtres mes jugements, affections et volontés, comme le Sacerdoce m'identifie avec Vous, Prêtre éternel, lorsque par moi vous vous faites Victime sur l'autel ou Rédempteur des âmes.
Em vez de me excluir, pela minha negligência voluntária, dos sufrágios que dirijo ao vosso Pai pelo conjunto dos fiéis, por ocasião da Missa ou da administração dos Sacramentos, quero aproveitar essas graças, ó Jesus. Em cada um dos meus atos de Padre, abrirei largamente o meu coração à vossa ação. Vós lançareis nele, então, as luzes, as consolações e as energias que, a despeito dos obstáculos, me permitirão identificar com os vossos os meus juízos, afetos e vontades, como o Sacerdócio me identifica Convosco, Sacerdote eterno, quando por mim vos fazeis Vítima sobre o altar ou Redentor das almas.
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Je résume en quelques mots les trois principes de l'esprit liturgique.
Resumo em poucas palavras os três princípios do espírito litúrgico.
Cum Ecclesiâ. Lorsque je m'unis comme simple chrétien à l'Eglise, cette union m'invite à me pénétrer des mêmes sentiments qu'Elle.
Cum Ecclesiâ. Quando me uno como simples cristão à Igreja, essa união me convida a penetrar-me dos mesmos sentimentos que Ela.
Ecclesia. Lorsque je suis l'Eglise elle-même, agissant comme son Ambassadeur devant le Trône de Dieu, je suis incité plus fortement encore à faire miennes ses aspirations pour être moins indigne de m'adresser à la Majesté trois fois sainte, et pour exercer par la Prière officielle un Apostolat plus fécond.
Ecclesia. Quando sou a própria Igreja, agindo como seu Embaixador diante do Trono de Deus, sou incitado mais fortemente ainda a fazer minhas as suas aspirações, para ser menos indigno de me dirigir à Majestade três vezes santa e para exercer, pela Oração oficial, um Apostolado mais fecundo.
Christus. Mais quand par la participation au Sacerdoce du Christ, je suis Alter Christus, quels termes peuvent traduire vos appels, ô Jésus, pour que je prenne de plus en plus votre divine ressemblance, qu'ainsi je vous manifeste aux fidèles et par l'Apostolat de l'exemple je les entraîne à votre suite.
Christus. Mas quando, pela participação no Sacerdócio de Cristo, sou Alter Christus, que termos podem traduzir os vossos apelos, ó Jesus, para que eu tome cada vez mais a vossa divina semelhança, para que assim eu vos manifeste aos fiéis e, pelo Apostolado do exemplo, os arraste no vosso seguimento.
Notas do autor
[6] S'unir à la prière d'autrui peut conduire à une oraison avancée. Témoin ce paysan qui s'était offert à porter les bagages de S. Ignace et de ses compagnons. Voyant que les Pères en arrivant à une hôtellerie s'empressaient de chercher quelque coin tranquille pour se recueillir devant Dieu, il en faisait autant et se mettait à genoux comme eux. Ils lui demandèrent un jour ce qu'il faisait lorsqu'il se retirait ainsi : « Je ne fais rien autre chose, répondit-il, si ce n'est que je dis : Seigneur, ces gens-ci sont des saints, et je suis leur bête de somme ; ce qu'ils font je veux le faire aussi : et voilà ce que j'offre alors à Dieu. » (Cf. Rodriguez, Perf. chrét., 1re part., 5e traité, ch. XIX.)
Si cet homme, par le moyen de cet exercice continuel vint à exceller dans l'oraison et la spiritualité, a fortiori, même l'illettré en s'unissant à la Vie liturgique de l'Eglise peut-il profiter grandement.
Un Frère Convers de Clairvaux gardait les brebis pendant la nuit de l'Assomption. Il s'unit de son mieux, surtout par la récitation de la Salutation Angélique aux Matines que chantaient les moines et dont les échos lointains arrivaient jusqu'à lui. Dieu révéla à saint Bernard que sa dévotion si humble et si simple avait tellement plu à Notre-Dame qu'elle avait été préférée à celle des religieux pourtant si fervents. (Exordium magnum Ord. Cisterc. Distinct. 4a, c. XIII.)
[7] Motu proprio de Pie X, du 22 novembre 1903.
[8] Le prêtre, le pontife lui-même ne relève comme le simple fidèle que de son caractère de chrétien lorsque, n'exerçant aucune fonction, il assiste à une cérémonie et sait en profiter.
[9] Nous comprenons mieux l'efficacité de la Liturgie pour nous faire vivre de la grâce et nous faciliter la vie intérieure, quand nous nous rappelons que toute prière officielle, toute cérémonie instituée par l'Eglise possède une puissance d'impétration de soi irrésistible, per se efficacissima. Ici, la puissance mise en œuvre pour obtenir telle grâce n'est pas seulement le geste individuel, la prière isolée d'une âme même excellemment disposée, c'est aussi le geste de l'Eglise se faisant suppliante avec nous, c'est la voix de l'Epouse très aimée, qui réjouit toujours le cœur de Dieu et qui est toujours écoutée de quelque manière.
S'il fallait résumer ceci en deux mots, nous dirions que la puissance d'impétration de la prière liturgique est faite de deux éléments : de l'Opus operantis de l'âme qui utilise le GRAND SACRAMENTAL de la Liturgie et de l'Opus operantis Ecclesiæ. Les deux actions : celle de l'âme et celle de l'Église, sont comme deux forces qui se combinent et qui sont emportées dans un même élan vers Dieu.
[10] Sicut enim in uno corpore multa membra habemus... ita multi unum sumus in Christo, singuli autem alter alterius membra. (Rom., XII, 4, 5.)
[11] Sicut enim corpus unum est, et membra habet multa, omnia autem membra corporis cum sint multa, unum tamen corpus sunt : ita et Christus. (I Cor., XII, 12.)
[12] Unusquisque fidelium quasi quædam minor videtur esse Ecclesia, dum salvo unitatis arcanæ mysterio, etiam cuncta Redemptionis humanæ unus homo suscipit Sacramenta. (S. Pet. Dam. Opusc. XI, cap. X. — Patr. lat., t. CXLV, col. 239.)
[13] S. Pet. Dam. cité par D. Gréa : La Sainte Liturgie, p. 51.
[14] S. Ignat. Epist. ad Eph. n. 5. S. Alphonse de Liguori préférait une oraison du Bréviaire à cent prières privées.
[15] Charactere sacramentali insignitur homo ut ad cultum Dei deputatus secundum ritum Christianæ religionis. (Card. Billot. De Ecclesiæ Sacram., t. I, thes. 2.)
[16] Vos autem genus electum, regale sacerdotium, gens sancta, populus acquisitionis. (I Pet., II, 9.)
[17] Sacerdotium sanctum, offerre spirituales hostias, acceptabiles Deo per Jesum Christum. (I Pet., II, 5.) — C'est dans ce sens que S. Ambroise dit : Omnes filii Ecclesiæ sacerdotes sunt ; ungimur enim in Sacerdotium sanctum, offerentes nosmetipsos Deo hostias spirituales. (In Lucam, lib. IV, n. 33. — Patr. lat. t. XV, col. 1645.) — Sicut omnes Christianos dicimus, propter mysticum Chrisma ; sic omnes Sacerdotes, quoniam membra sunt unius Sacerdotis. (S. Aug. De civit. Dei, lib. XX, cap. X. — Patr. lat., t. XLI, col. 676.)
[18] Memento, Domine... et omnium circumstantium pro quibus tibi offerimus vel qui tibi offerunt hoc sacrificium laudis. — Hanc igitur oblationem servitutis nostræ sed et cunctæ familiæ tuæ quæsumus, Domine, ut placatus accipias. (Canon de la Messe.) — « Nous offrons tous avec le prêtre, nous consentons à tout ce qu'il fait, à tout ce qu'il dit. Et que dit-il ? « Priez, mes frères, que mon Sacrifice et le vôtre soient agréables au Seigneur notre Dieu. » Et que répondez-vous ? « Que le Seigneur le reçoive de vos mains ! » Quoi ? « Mon sacrifice et le vôtre ! » Et que dit encore le prêtre ? « Souvenez-vous de vos serviteurs pour qui nous vous offrons. » Est-ce tout ? Il ajoute : « Ou qui vous offrent ce sacrifice. » Offrons donc aussi avec lui. Offrons Jésus-Christ ; offrons-nous nous-mêmes, avec toute son Église catholique, répandue par toute la terre » (Bossuet. Méditations sur l'Évangile — Cène, 1re partie, LXIIIe jour.)
[19] S. Petr. Dam. cité par D. Gréa : La Sainte Liturgie, p. 51.
[20] Joan., XIII, 35.
[21] Joan., XVII, 21, 23.
[22] Creatus est homo ad hunc finem, ut Dominum Deum suum laudet, ac revereatur eique serviens tandem salvus fiat. (Exerc. spirit. S. Ignace.)
Notre fin est le service de Notre-Seigneur et ce n'est que pour mieux le servir que nous devons nous corriger de nos défauts et acquérir les vertus ; la sainteté n'est qu'un moyen de meilleur service. (Vén. P. Eymard.)
[23] Eph., IV, 13.
[24] Sicut potestatem habens. (Matth., VII, 29.)
[25] Sont ainsi délégués de l'Eglise les Clercs, les Religieux obligés au Bréviaire, même lorsqu'ils le récitent en particulier. De même, dans leurs Eglises canoniquement érigées, ceux qui sont tenus à l'office du chœur et aux messes capitulaires ou conventuelles. Et même ceux qui sans avoir reçu les Ordres, en accomplissent les fonctions par tolérance de l'Eglise, comme, par exemple, les servants de messe.
[26] Sermo XX.
[27] Sacerdos personam induit Ecclesiæ, verba illius gerit, vocem assumit. (Gulielm. Paris. De Sacram. Ordinis.)
[28] Per unitatem Fidei, Sacerdos Ecclesia tota est et ejus vices gerit. (S. Pet. Dam. Opusc. XI, cap. X. — Patr. lat., t. CXLV, col. 239.) — Quid mirum si Sacerdos quilibet... vicem Ecclesiæ solus expleat... cùm per unitatis intimæ Sacramentum, tota spiritualiter sit Ecclesia. (S. Pet. Dam., loc. cit.)
[29] Medius stat Sacerdos inter Deum et humanam naturam ; illinc venientia beneficia ad nos deferens et nostras petitiones illuc perferens. (S. Joan. Chrysost. Hom. V, n. 1, in illud : Vidi Dominum.)
[30] Pourquoi le Prêtre qui récite son Bréviaire dit-il, même lorsqu'il est seul : Dominus vobiscum? Et pourquoi répond-il : Et cum spiritu tuo, au lieu de répondre : Et cum spiritu meo? Non, dit saint Pierre Damien, le prêtre n'est pas seul. Quand il célèbre ou prie, il a devant lui toute l'Eglise mystérieusement présente et c'est elle qu'il salue en lui disant : Dominus vobiscum. Puis, comme il représente l'Eglise, celle-ci lui répond par sa propre bouche : Et cum spiritu tuo. (Cf. S. Pet. Dam. I. Dom. vob., c. 6, 10, etc.) Ce sont ses pensées que nous reproduisons.
[31] Laudate Dominum ; sed laudate de vobis, id est, ut non sola lingua et vox vestra laudet Deum, sed et conscientia vestra, vita vestra, facta vestra. (S. Aug. Enarrat. in Psalm. in Ps. CXLVIII, n. 2.) — De même que les hommes vous demandent la sainteté, quand vous vous présentez comme ambassadeur de Dieu auprès d'eux, Dieu l'exige quand vous paraissez comme intercesseur des hommes devant lui. Un intercesseur, c'est un parlementaire de la misère terrestre dépêché à la justice divine. Or, deux conditions sont nécessaires à un parlementaire, dit saint Thomas, pour qu'il soit favorablement accueilli. La première, c'est d'être le digne représentant du peuple qui l'envoie ; la seconde, d'être l'ami du prince auquel il est envoyé : Prêtre sans estime pour votre sainteté, seriez-vous le digne représentant du peuple chrétien, quand vous n'êtes pas l'expression achevée des vertus chrétiennes? Seriez-vous l'ami de Dieu, quand vous n'êtes pas même son fidèle serviteur?
Et s'il en est ainsi du médiateur indifférent, a fortiori du médiateur coupable ; car qui pourrait exprimer alors les anomalies de sa funeste situation? « Priez pour moi, mon Père, vous avez du crédit auprès de Dieu », vous disent les bonnes âmes ; et voulez-vous connaître l'efficacité de cette sauvegarde pieusement invoquée : Plus placet Deo latratus canum quam oratio talium clericorum. (S. Aug. Serm., 37.) — P. Caussette, Manrèze du Prêtre, 1er jour, 2e discours.
[32] Ce que nous disons du prêtre s'applique aussi, proportion gardée au diacre et au sous-diacre.
[33] Omnia autem membra non eumdem actum habent. (Rom., XII, 4.)
[34] I Cor., XII, 4.
[35] Ipse est principalis Sacerdos qui, in omnibus et per omnes Sacerdotes novi Testamenti, offert. Ideo enim quia erat Sacerdos in æternum instituit Apostolos Sacerdotes, ut per ipsos suum Sacerdotium exsequeretur. (De Lugo, De Euchar., disp. XIX, sect. VI, n. 86.)
[36] Dei adjutores sumus. (I Cor., III, 9.)
[37] Les Saints Pères semblent avoir épuisé leur éloquence en parlant de la dignité du prêtre. Leur pensée peut se résumer dans cette parole : Cette dignité surpasse tout ce qui est créé ; Dieu seul est plus grand. — Sublimitas sacerdotis nullis comparationibus potest adæquari. (S. Ambr., lib. de Dign. Sacerd., cap. II.) Qui sacerdotem dixit, prorsus divinum insinuat virum. (S. Dion. Areop.) Prætulit vos regibus et imperatoribus, prætulit vestrum ordinem ordinibus omnibus, imo ut altius loquar, prætulit vos Angelis et Archangelis, Thronis et Dominationibus. (S. Bern. Sermo ad Past. in Syn. — Inter apocryp. opp. — Patr. lat. t. CLXXXIV, col. 1086.) — Perspicuum est illam esse illorum Sacerdotum functionem quâ nulla major excogitari possit. Quare merito non solum Angeli, sed Dii etiam, quia Dei immortalis vim et numen apud nos teneant, appellantur. (Cat. Roman. De Ord. 1.)
[38] Reliqua omnia quæ dicuntur in superioribus, a Sacerdote dicuntur.... Ubi venitur ut conficiatur venerabile Sacramentum jam non suis sermonibus utitur Sacerdos, sed utitur sermonibus Christi. Ergo sermo Christi hoc conficit Sacramentum. Quis est sermo Christi? Nempè is quo facta sunt omnia. (S. Ambr. De Sacramentis, lib. IV, cap. IV, n. 14 et seq. — Inter dubia opp. — Patr. lat., t. XVI, col. 439.) — Ecce Ambrosius non solum vult sacerdotem loqui in personâ Christi sed etiam non loqui in propriâ personâ, neque illa esse verba Sacerdotis. Quia, cum Sacerdos assumatur a Christo ut eum repræsentet, et ut Christus per os Sacerdotis loquatur, non decuit sacerdotem, adhuc retinere in his verbis propriam personam. (De Lugo, De Euch., disp. XI, sect. V, n. 103.)
[39] Ipse est (Christus) qui sanctificat et immolat... Cum videris Sacerdotem offerentem, ne ut Sacerdotem esse putes, sed Christi manum invisibiliter extentam... Sacerdos linguam suam commodat. (S. Joan. Chrysost. Hom. 86 in Joan., n. 4.)
[40] Nil aliud Sacrifex est quàm Christi simulacrum. (Petr. Bles. Tract. rythm. de Euch., cap. VII.)
[41] Majus opus est ex impio justum facere quam creare cœlum et terram. (S. Aug.)
[42] Thren., IV, 11, 13.
[43] Vos estis lux mundi, vos estis sal terræ. Quod si sal evanuerit in quo salietur? (Matth., V, 13.) — Exemplum esto fidelium in verbo, in conversatione, in charitate, in fide, in castitate. (I Tim., V, 12.) — In divino omni quis audeat aliis dux fieri, nisi secundum omnem habitum suum factus sit Deo formissimus et Deo simillimus. (S. Dionys. De Eccl. hier.) — Sacerdos debet vitam habere immaculatam, ut omnes in illum, veluti in aliquod exemplum excellens, intueantur (S. Joan. Chrysost., Hom. 10 in Tim.) — Nihil in Sacerdote commune cum multitudine. Vita sacerdotis præponderare debet, sicut præponderat gratia. (S. Ambr. Epist., 82.) — Aut cæteris honestiores, aut fabula omnibus sunt Sacerdotes. (S. Bern. De Consider., lib. IV, c. 6.) — Sicut illi qui Ordinem suscipiunt, super plebem constituuntur gradu Ordinis, ita et superiores sint merito sanctitatis. (S. Th. Suppl., q. 35.) — Sic decet omnino Clericos in sortem Domini vocatos, vitam moresque suos omnes componere, ut habitu, gestu, incessu, sermone, aliisque omnibus rebus nihil nisi grave, moderatum ac religione plenum præ se ferant. (Conc. Trid. sess. 22, c. 1. de Reform.) Si religiosus careat Ordine, manifestum est excellere præeminentiam Ordinis quantum ad dignitatem, quia per sacrum Ordinem aliquis deputatur ad dignissima ministeria, quibus ipsi Christo servitur in sacramento altaris ; ad quod requiritur major sanctitas interior, quam requirat etiam religionis status. (S. Th. 22, q. 184.) — Vix bonus monachus facit bonum clericum. (S. Aug. ad Val.) — Nullam ascensûs et deificationis mensuram agnoscant. (S. Greg. Naz.) — Pares Deo conentur esse sanctitate, ut qui viderit ministrum altaris, Dominum veneretur. (S. Ambr. S. Offic., c. 5.)
[44] Pontifical romain.
[45] Is., LII, 12.
[46] Lévit., XXI, 6.
Notas do autor
[6] Unir-se à oração de outrem pode conduzir a uma oração adiantada. Testemunha disso é aquele camponês que se oferecera para carregar a bagagem de santo Inácio e dos seus companheiros. Vendo que os Padres, ao chegarem a uma hospedaria, se apressavam a procurar algum canto tranquilo para se recolherem diante de Deus, ele fazia o mesmo e se punha de joelhos como eles. Perguntaram-lhe um dia o que fazia quando assim se retirava: «Não faço outra coisa, respondeu ele, senão dizer: Senhor, estes homens são santos, e eu sou a besta de carga deles; o que eles fazem, eu também o quero fazer: e é isso o que então ofereço a Deus.» (Cf. Rodriguez, Perf. chrét., 1ª parte, 5º tratado, cap. XIX.)
Se esse homem, por meio desse exercício contínuo, chegou a sobressair na oração e na espiritualidade, a fortiori mesmo o iletrado, unindo-se à Vida litúrgica da Igreja, pode tirar grande proveito.
Um Irmão converso de Claraval guardava as ovelhas durante a noite da Assunção. Uniu-se o melhor que pôde, sobretudo pela recitação da Saudação Angélica, às Matinas que os monges cantavam e cujos ecos distantes chegavam até ele. Deus revelou a são Bernardo que a sua devoção, tão humilde e tão simples, agradara tanto a Nossa Senhora, que fora preferida à dos religiosos, no entanto tão fervorosos. (Exordium magnum Ord. Cisterc., Distinct. 4a, c. XIII.)
[7] Motu proprio de Pio X, de 22 de novembro de 1903.
[8] O padre, e o próprio pontífice, assim como o simples fiel, só agem em virtude do seu caráter de cristão quando, sem exercer nenhuma função, assistem a uma cerimônia e sabem tirar proveito dela.
[9] Compreendemos melhor a eficácia da Liturgia para nos fazer viver da graça e nos facilitar a vida interior quando nos lembramos de que toda oração oficial, toda cerimônia instituída pela Igreja possui um poder de impetração de si irresistível, per se efficacissima. Aqui, o poder posto em ação para obter tal graça não é somente o gesto individual, a oração isolada de uma alma, mesmo excelentemente disposta: é também o gesto da Igreja que se faz suplicante conosco, é a voz da Esposa muito amada, que alegra sempre o coração de Deus e que é sempre ouvida de algum modo.
Se fosse preciso resumir isto em duas palavras, diríamos que o poder de impetração da oração litúrgica é feito de dois elementos: do Opus operantis da alma que utiliza o GRANDE SACRAMENTAL da Liturgia, e do Opus operantis Ecclesiæ. As duas ações, a da alma e a da Igreja, são como duas forças que se combinam e são arrebatadas num mesmo impulso para Deus.
[10] Sicut enim in uno corpore multa membra habemus... ita multi unum sumus in Christo, singuli autem alter alterius membra. (Rom., XII, 4, 5.)
[11] Sicut enim corpus unum est, et membra habet multa, omnia autem membra corporis cum sint multa, unum tamen corpus sunt: ita et Christus. (I Cor., XII, 12.)
[12] Unusquisque fidelium quasi quædam minor videtur esse Ecclesia, dum salvo unitatis arcanæ mysterio, etiam cuncta Redemptionis humanæ unus homo suscipit Sacramenta. (são Pedro Damião, Opusc. XI, cap. X. — Patr. lat., t. CXLV, col. 239.) [Trad.: Cada um dos fiéis parece ser como que uma Igreja menor, pois, salvo o mistério da unidade oculta, um só homem recebe também todos os Sacramentos da Redenção humana.]
[13] São Pedro Damião, citado por Dom Gréa: La Sainte Liturgie, p. 51.
[14] Santo Inácio, Epist. ad Eph. n. 5. Santo Afonso de Ligório preferia uma oração do Breviário a cem orações particulares.
[15] Charactere sacramentali insignitur homo ut ad cultum Dei deputatus secundum ritum Christianæ religionis. (cardeal Billot, De Ecclesiæ Sacram., t. I, thes. 2.)
[16] Vos autem genus electum, regale sacerdotium, gens sancta, populus acquisitionis. (I Pet., II, 9.)
[17] Sacerdotium sanctum, offerre spirituales hostias, acceptabiles Deo per Jesum Christum. (I Pet., II, 5.) — É nesse sentido que santo Ambrósio diz: Omnes filii Ecclesiæ sacerdotes sunt; ungimur enim in Sacerdotium sanctum, offerentes nosmetipsos Deo hostias spirituales. (In Lucam, lib. IV, n. 33. — Patr. lat., t. XV, col. 1645.) — Sicut omnes Christianos dicimus, propter mysticum Chrisma; sic omnes Sacerdotes, quoniam membra sunt unius Sacerdotis. (santo Agostinho, De civit. Dei, lib. XX, cap. X. — Patr. lat., t. XLI, col. 676.) [Trad.: Sacerdócio santo, para oferecer hóstias espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo. — Todos os filhos da Igreja são sacerdotes; pois somos ungidos para um Sacerdócio santo, oferecendo-nos a nós mesmos a Deus como hóstias espirituais. — Assim como chamamos a todos cristãos, por causa do Crisma místico, assim também chamamos a todos sacerdotes, porque são membros de um só Sacerdote.]
[18] Memento, Domine... et omnium circumstantium pro quibus tibi offerimus vel qui tibi offerunt hoc sacrificium laudis. — Hanc igitur oblationem servitutis nostræ sed et cunctæ familiæ tuæ quæsumus, Domine, ut placatus accipias. (Cânon da Missa.) — «Oferecemos todos com o padre, consentimos em tudo o que ele faz, em tudo o que ele diz. E que diz ele? “Orai, meus irmãos, para que o meu Sacrifício e o vosso sejam agradáveis ao Senhor nosso Deus.” E que respondeis vós? “Que o Senhor o receba das vossas mãos!” O quê? “O meu sacrifício e o vosso!” E que diz ainda o padre? “Lembrai-vos dos vossos servos, pelos quais nós vos oferecemos.” É tudo? Ele acrescenta: “Ou que vos oferecem este sacrifício.” Ofereçamos, pois, também com ele. Ofereçamos Jesus Cristo; ofereçamo-nos a nós mesmos, com toda a sua Igreja católica, espalhada por toda a terra» (Bossuet, Méditations sur l'Évangile — Cène, 1ª parte, 63º dia.)
[19] São Pedro Damião, citado por Dom Gréa: La Sainte Liturgie, p. 51.
[20] Joan., XIII, 35.
[21] Joan., XVII, 21, 23.
[22] Creatus est homo ad hunc finem, ut Dominum Deum suum laudet, ac revereatur eique serviens tandem salvus fiat. (Exerc. spirit., santo Inácio.) [Trad.: O homem foi criado para este fim: para que louve o Senhor seu Deus e o reverencie, e, servindo-o, por fim se salve.]
O nosso fim é o serviço de Nosso Senhor, e é só para melhor servi-lo que devemos corrigir-nos dos nossos defeitos e adquirir as virtudes; a santidade não é mais que um meio de melhor serviço. (Venerável padre Eymard.)
[23] Eph., IV, 13.
[24] Sicut potestatem habens. (Matth., VII, 29.)
[25] São assim delegados da Igreja os Clérigos e os Religiosos obrigados ao Breviário, mesmo quando o recitam em particular. Do mesmo modo, nas suas Igrejas canonicamente eretas, os que são obrigados ao ofício do coro e às missas capitulares ou conventuais. E até os que, sem terem recebido as Ordens, exercem as suas funções por tolerância da Igreja, como, por exemplo, os que servem à missa.
[26] Sermo XX.
[27] Sacerdos personam induit Ecclesiæ, verba illius gerit, vocem assumit. (Guilherme de Paris, De Sacram. Ordinis.) [Trad.: O sacerdote reveste-se da pessoa da Igreja, leva as suas palavras, assume a sua voz.]
[28] Per unitatem Fidei, Sacerdos Ecclesia tota est et ejus vices gerit. (são Pedro Damião, Opusc. XI, cap. X. — Patr. lat., t. CXLV, col. 239.) — Quid mirum si Sacerdos quilibet... vicem Ecclesiæ solus expleat... cùm per unitatis intimæ Sacramentum, tota spiritualiter sit Ecclesia. (são Pedro Damião, loc. cit.) [Trad.: Pela unidade da Fé, o sacerdote é a Igreja inteira e faz as suas vezes. — Que admira que um sacerdote qualquer... faça sozinho as vezes da Igreja... quando, pelo Sacramento da unidade íntima, ele é espiritualmente a Igreja inteira?]
[29] Medius stat Sacerdos inter Deum et humanam naturam; illinc venientia beneficia ad nos deferens et nostras petitiones illuc perferens. (são João Crisóstomo, Hom. V, n. 1, in illud: Vidi Dominum.) [Trad.: O sacerdote está no meio, entre Deus e a natureza humana, trazendo-nos os benefícios que de lá vêm e levando para lá as nossas petições.]
[30] Por que o Padre que recita o seu Breviário diz, mesmo quando está sozinho: Dominus vobiscum? E por que responde: Et cum spiritu tuo, em vez de responder: Et cum spiritu meo? Não, diz são Pedro Damião, o padre não está sozinho. Quando celebra ou reza, tem diante de si toda a Igreja misteriosamente presente, e é a ela que saúda, dizendo-lhe: Dominus vobiscum. Depois, como ele representa a Igreja, esta lhe responde pela sua própria boca: Et cum spiritu tuo. (Cf. são Pedro Damião, I. Dom. vob., c. 6, 10 etc.) São dele os pensamentos que reproduzimos.
[31] Laudate Dominum; sed laudate de vobis, id est, ut non sola lingua et vox vestra laudet Deum, sed et conscientia vestra, vita vestra, facta vestra. (santo Agostinho, Enarrat. in Psalm., in Ps. CXLVIII, n. 2.) [Trad.: Louvai o Senhor; mas louvai-o com o que vós sois, isto é, de modo que não só a vossa língua e a vossa voz louvem a Deus, mas também a vossa consciência, a vossa vida, as vossas obras.] — Assim como os homens vos pedem a santidade quando vos apresentais como embaixador de Deus junto deles, Deus a exige quando apareceis como intercessor dos homens diante dele. Um intercessor é um parlamentário da miséria terrestre enviado à justiça divina. Ora, duas condições são necessárias a um parlamentário, diz santo Tomás, para que seja favoravelmente acolhido. A primeira é ser o digno representante do povo que o envia; a segunda, ser amigo do príncipe a quem é enviado. Padre sem estima pela vossa santidade, seríeis vós o digno representante do povo cristão, quando não sois a expressão acabada das virtudes cristãs? Seríeis amigo de Deus, quando não sois sequer o seu servo fiel?
E, se assim é com o mediador indiferente, a fortiori com o mediador culpado; pois quem poderia exprimir então as anomalias da sua funesta situação? «Rogai por mim, meu Padre, vós tendes crédito junto de Deus», dizem-vos as boas almas; e quereis conhecer a eficácia dessa salvaguarda piedosamente invocada: Plus placet Deo latratus canum quam oratio talium clericorum. (santo Agostinho, Serm., 37.) [Trad.: Mais agrada a Deus o latido dos cães do que a oração de tais clérigos.] — Padre Caussette, Manrèze du Prêtre, 1º dia, 2º discurso.
[32] O que dizemos do padre aplica-se também, guardadas as proporções, ao diácono e ao subdiácono.
[33] Omnia autem membra non eumdem actum habent. (Rom., XII, 4.)
[34] I Cor., XII, 4.
[35] Ipse est principalis Sacerdos qui, in omnibus et per omnes Sacerdotes novi Testamenti, offert. Ideo enim quia erat Sacerdos in æternum instituit Apostolos Sacerdotes, ut per ipsos suum Sacerdotium exsequeretur. (De Lugo, De Euchar., disp. XIX, sect. VI, n. 86.) [Trad.: Ele é o Sacerdote principal, que oferece em todos e por todos os sacerdotes do novo Testamento. Pois, por ser Sacerdote para sempre, instituiu os Apóstolos sacerdotes, para exercer por meio deles o seu Sacerdócio.]
[36] Dei adjutores sumus. (I Cor., III, 9.) [Trad.: Somos cooperadores de Deus.]
[37] Os Santos Padres parecem ter esgotado a sua eloquência falando da dignidade do padre. O seu pensamento pode resumir-se nesta palavra: Essa dignidade ultrapassa tudo o que é criado; só Deus é maior. — Sublimitas sacerdotis nullis comparationibus potest adæquari. (santo Ambrósio, lib. de Dign. Sacerd., cap. II.) Qui sacerdotem dixit, prorsus divinum insinuat virum. (são Dionísio Areopagita.) Prætulit vos regibus et imperatoribus, prætulit vestrum ordinem ordinibus omnibus, imo ut altius loquar, prætulit vos Angelis et Archangelis, Thronis et Dominationibus. (são Bernardo, Sermo ad Past. in Syn. — Inter apocryp. opp. — Patr. lat., t. CLXXXIV, col. 1086.) — Perspicuum est illam esse illorum Sacerdotum functionem quâ nulla major excogitari possit. Quare merito non solum Angeli, sed Dii etiam, quia Dei immortalis vim et numen apud nos teneant, appellantur. (Cat. Roman., De Ord. 1.) [Trad.: A sublimidade do sacerdote não pode ser igualada por nenhuma comparação. — Quem diz sacerdote designa um homem inteiramente divino. — Ele vos preferiu aos reis e aos imperadores, preferiu a vossa ordem a todas as ordens; mais ainda, para falar mais alto, preferiu-vos aos Anjos e aos Arcanjos, aos Tronos e às Dominações. — É evidente que a função desses sacerdotes é tal que não se pode imaginar nenhuma maior. Por isso, com razão, são chamados não somente anjos, mas até deuses, porque têm entre nós a força e o poder do Deus imortal.]
[38] Reliqua omnia quæ dicuntur in superioribus, a Sacerdote dicuntur.... Ubi venitur ut conficiatur venerabile Sacramentum jam non suis sermonibus utitur Sacerdos, sed utitur sermonibus Christi. Ergo sermo Christi hoc conficit Sacramentum. Quis est sermo Christi? Nempè is quo facta sunt omnia. (santo Ambrósio, De Sacramentis, lib. IV, cap. IV, n. 14 et seq. — Inter dubia opp. — Patr. lat., t. XVI, col. 439.) — Ecce Ambrosius non solum vult sacerdotem loqui in personâ Christi sed etiam non loqui in propriâ personâ, neque illa esse verba Sacerdotis. Quia, cum Sacerdos assumatur a Christo ut eum repræsentet, et ut Christus per os Sacerdotis loquatur, non decuit sacerdotem, adhuc retinere in his verbis propriam personam. (De Lugo, De Euch., disp. XI, sect. V, n. 103.) [Trad.: Todas as outras coisas que se dizem nas partes anteriores são ditas pelo sacerdote... Quando se chega à confecção do venerável Sacramento, o sacerdote já não usa as suas próprias palavras, mas usa as palavras de Cristo. Logo, é a palavra de Cristo que realiza este Sacramento. Qual é a palavra de Cristo? Aquela, sem dúvida, pela qual todas as coisas foram feitas. — Eis que Ambrósio não só quer que o sacerdote fale na pessoa de Cristo, mas também que não fale na sua própria pessoa, e que aquelas palavras não sejam do sacerdote. Porque, sendo o sacerdote tomado por Cristo para representá-lo, e para que Cristo fale pela boca do sacerdote, não convinha que o sacerdote conservasse ainda, nessas palavras, a sua própria pessoa.]
[39] Ipse est (Christus) qui sanctificat et immolat... Cum videris Sacerdotem offerentem, ne ut Sacerdotem esse putes, sed Christi manum invisibiliter extentam... Sacerdos linguam suam commodat. (são João Crisóstomo, Hom. 86 in Joan., n. 4.) [Trad.: É ele (Cristo) quem santifica e imola... Quando vires o sacerdote oferecer, não penses que é o sacerdote, mas a mão de Cristo estendida invisivelmente... O sacerdote empresta a sua língua.]
[40] Nil aliud Sacrifex est quàm Christi simulacrum. (Pedro de Blois, Tract. rythm. de Euch., cap. VII.) [Trad.: O sacrificador não é outra coisa senão a imagem de Cristo.]
[41] Majus opus est ex impio justum facere quam creare cœlum et terram. (santo Agostinho.) [Trad.: É obra maior fazer do ímpio um justo do que criar o céu e a terra.]
[42] Thren., IV, 11, 13.
[43] Vos estis lux mundi, vos estis sal terræ. Quod si sal evanuerit in quo salietur? (Matth., V, 13.) — Exemplum esto fidelium in verbo, in conversatione, in charitate, in fide, in castitate. (I Tim., V, 12.) — In divino omni quis audeat aliis dux fieri, nisi secundum omnem habitum suum factus sit Deo formissimus et Deo simillimus. (são Dionísio, De Eccl. hier.) — Sacerdos debet vitam habere immaculatam, ut omnes in illum, veluti in aliquod exemplum excellens, intueantur (são João Crisóstomo, Hom. 10 in Tim.) — Nihil in Sacerdote commune cum multitudine. Vita sacerdotis præponderare debet, sicut præponderat gratia. (santo Ambrósio, Epist., 82.) — Aut cæteris honestiores, aut fabula omnibus sunt Sacerdotes. (são Bernardo, De Consider., lib. IV, c. 6.) — Sicut illi qui Ordinem suscipiunt, super plebem constituuntur gradu Ordinis, ita et superiores sint merito sanctitatis. (santo Tomás, Suppl., q. 35.) — Sic decet omnino Clericos in sortem Domini vocatos, vitam moresque suos omnes componere, ut habitu, gestu, incessu, sermone, aliisque omnibus rebus nihil nisi grave, moderatum ac religione plenum præ se ferant. (Conc. Trid., sess. 22, c. 1, de Reform.) Si religiosus careat Ordine, manifestum est excellere præeminentiam Ordinis quantum ad dignitatem, quia per sacrum Ordinem aliquis deputatur ad dignissima ministeria, quibus ipsi Christo servitur in sacramento altaris; ad quod requiritur major sanctitas interior, quam requirat etiam religionis status. (santo Tomás, 22, q. 184.) — Vix bonus monachus facit bonum clericum. (santo Agostinho, ad Val.) — Nullam ascensûs et deificationis mensuram agnoscant. (são Gregório Nazianzeno.) — Pares Deo conentur esse sanctitate, ut qui viderit ministrum altaris, Dominum veneretur. (santo Ambrósio, S. Offic., c. 5.) [Trad.: Vós sois a luz do mundo, vós sois o sal da terra. Se o sal perder a força, com que se há de salgar? — Sê o exemplo dos fiéis na palavra, no procedimento, na caridade, na fé, na castidade. — Em toda coisa divina, quem ousará fazer-se guia dos outros, se não se tiver tornado, em todo o seu modo de ser, conformíssimo a Deus e semelhantíssimo a Deus? — O sacerdote deve ter uma vida imaculada, para que todos olhem para ele como para um exemplo excelente. — Nada tenha o sacerdote em comum com a multidão. A vida do sacerdote deve sobrepujar, como sobrepuja a graça. — Ou os sacerdotes são mais honestos que os outros, ou são a fábula de todos. — Assim como os que recebem a Ordem são postos acima do povo pelo grau da Ordem, assim também sejam superiores pelo mérito da santidade. — Convém de todo modo que os clérigos, chamados à herança do Senhor, componham de tal maneira a sua vida e todos os seus costumes que, no hábito, no gesto, no andar, na palavra e em todas as outras coisas, nada mostrem senão o que é grave, moderado e cheio de religião. — Se o religioso não tem a Ordem, é manifesto que a preeminência da Ordem é superior quanto à dignidade, porque pela Ordem sagrada alguém é deputado aos ministérios mais dignos, pelos quais se serve ao próprio Cristo no sacramento do altar; e para isso se requer uma santidade interior maior do que a que requer até o estado religioso. — Dificilmente um bom monge faz um bom clérigo. — Não reconheçam nenhuma medida de ascensão e de deificação. — Esforcem-se por ser semelhantes a Deus na santidade, para que quem vir o ministro do altar venere o Senhor.]
[44] Pontifical romano.
[45] Is., LII, 12.
[46] Levit., XXI, 6.
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