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Tarde · Édipo

EI

A Esfinge

“Bem-vindo sejas à cidade de Cadmo, nosso libertador e nosso rei, que, com a tua penetração de espírito e o auxílio divino, levantaste o tributo de sangue que pagávamos à cruel Esfinge!” (SÓFOCLES. Édipo Rei.)
Perto de Tebas, junto a um monte, sobre o Ismeno,
Águia e mulher, serpente e abutre, deusa e harpia,
Tapando a estrada, à espera, — aterrava e sorria
O monstro sedutor, horrível e sereno:
“Devoro-te, ou decifra!” Era fascínio o aceno;
A voz, morna e sensual, tinha afeto e ironia,
Graça e repulsa; e a luz dos olhos escorria
Fluido filtro, estilando um pérfido veneno.
Mas Édipo desvenda o enigma... Ruge em fúria
O Grifo, e escarva o chão, bate contra o rochedo,
Rola em vascas, em sangue ardente a areia tinge,
E fita o campeador no uivar da extrema injúria...
E o Herói recua, vendo, entre esperança e medo,
Rancor e compaixão no verde olhar da Esfinge.

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