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Parte III

Chapitre XXX — Quelques autres avis touchant le parler

Capítulo XXX — Alguns outros avisos acerca do falar

III.30 Que votre langage soit doux, franc, sincère, rond, naïf et fidèle. Gardez-vous des duplicités, artifices et feintises ; bien qu’il ne soit pas bon de dire toujours toutes sortes de vérités, si n’est-il jamais permis de contrevenir à la vérité. Accoutumez-vous à ne jamais mentir à votre escient, ni par excuse ni autrement, vous ressouvenant que Dieu est le Dieu de vérité. Si vous en dites par mégarde et vous pouvez les corriger sur le champ par quelque explication ou réparation, corrigez-les : une excuse véritable a bien plus de grâce et de force pour excuser, que le mensonge.

III.30 Seja a vossa linguagem doce, franca, sincera, lhana, simples e fiel. Guardai-vos das duplicidades, artifícios e fingimentos; embora não seja bom dizer sempre toda espécie de verdades, nunca é permitido ir contra a verdade. Acostumai-vos a nunca mentir conscientemente, nem por desculpa nem de outro modo, lembrando-vos de que Deus é o Deus da verdade. Se disserdes mentiras por descuido e as puderdes corrigir na hora com alguma explicação ou reparação, corrigi-as: uma desculpa verdadeira tem muito mais graça e força para desculpar do que a mentira.

Bien que quelquefois on puisse discrètement et prudemment déguiser et couvrir la vérité par quelque artifice de parole, si ne faut-il pas pratiquer cela sinon en chose d’importance, quand la gloire et service de Dieu requièrent manifestement : hors de là, les artifices sont dangereux, car, comme dit la sacrée Parole, le Saint Esprit n’habite point en un esprit feint et double. Il n’y a nulle si bonne et désirable finesse, que la simplicité. Les prudences mondaines et artifices charnels appartiennent aux enfants de ce siècle ; mais les enfants de Dieu cheminent sans détour, et ont le cœur sans replis. « Qui chemine simplement, dit le Sage, il chemine confidemment ». Le mensonge, la duplicité, la simulation témoignent toujours un esprit faible et vil.

Embora algumas vezes se possa discreta e prudentemente disfarçar e encobrir a verdade com algum artifício de palavra, não se deve, contudo, praticar isso senão em coisa de importância, quando a glória e o serviço de Deus manifestamente o requerem: fora disso, os artifícios são perigosos, porque, como diz a sagrada Palavra, o Espírito Santo não habita num espírito fingido e dobre. Não há fineza tão boa e desejável como a simplicidade. As prudências mundanas e os artifícios carnais pertencem aos filhos deste século; mas os filhos de Deus caminham sem rodeios e têm o coração sem dobras. «Quem caminha com simplicidade, diz o Sábio, caminha com confiança». A mentira, a duplicidade, a simulação revelam sempre um espírito fraco e vil.

Saint Augustin avait dit au quatrième livre de ses Confessions, que son âme et celle de son ami n’étaient qu’une seule âme, et que cette vie lui était en horreur après le trépas de son ami, parce qu’il ne voulait pas vivre à moitié, et que aussi pour cela même il craignait à l’aventure de mourir, afin que son ami ne mourût du tout. Ces paroles lui semblèrent par après trop artificieuses et affectées, si qu’il les révoque au livre de ses Rétractations, et les appelle une ineptie. Voyez-vous, chère Philothée, combien cette sainte belle âme est douillette au sentiment de l’afféterie des paroles ? Certes, c’est un grand ornement de la vie chrétienne que la fidélité, rondeur et sincérité du langage « J’ai dit, je prendrai garde à mes voies, pour ne point pécher en ma langue…… Eh ! Seigneur, mettez des gardes à ma bouche et une porte qui ferme mes lèvres », disait David.

Santo Agostinho tinha dito, no quarto livro das suas Confissões, que a sua alma e a do seu amigo não eram senão uma só alma, e que esta vida lhe causava horror depois da morte do amigo, porque não queria viver pela metade, e que também, por isso mesmo, talvez temesse morrer, para que o amigo não morresse de todo. Essas palavras lhe pareceram depois demasiado artificiosas e afetadas, de modo que as revoga no livro das suas Retratações e as chama uma inépcia. Vedes, cara Filoteia, quão melindrosa é essa santa e bela alma em sentir a afetação das palavras? Certamente, é um grande ornamento da vida cristã a fidelidade, a lhaneza e a sinceridade da linguagem. «Eu disse: guardarei os meus caminhos, para não pecar com a minha língua…… Ah! Senhor, ponde uma guarda à minha boca e uma porta que feche os meus lábios», dizia Davi.

C’est un avis du roi saint Louis, de ne point dédire personne, sinon qu’il y eût péché ou grand dommage à consentir : c’est afin d’éviter toutes contestes et disputes. Or, quand il importe de contredire à quelqu’un, et d’opposer son opinion à celle d’un autre, il faut user de grande douceur et dextérité, sans vouloir violenter l’esprit d’autrui ; car aussi bien ne gagne-t-on rien, prenant les choses âprement. Le parler peu, tant recommandé par les anciens sages, ne s’entend pas qu’il faille dire peu de paroles, mais de n’en dire pas beaucoup d’inutiles ; car en matière de parler, on ne regarde pas à la quantité, mais à la qualité. Et me semble qu’il faut fuir les deux extrémités : car de faire trop l’entendu et le sévère, refusant de contribuer aux devis familiers qui se font ès conversations, il semble qu’il y ait ou manquement de confiance, ou quelque sorte de dédain ; de babiller aussi et cajoler toujours, sans donner ni loisir ni commodité aux autres de parler à souhait, cela tient de l’éventé et du léger.

É um aviso do rei são Luís não contradizer ninguém, a não ser que houvesse pecado ou grande dano em consentir: é para evitar todas as contendas e disputas. Ora, quando importa contradizer alguém e opor a sua opinião à de outro, é preciso usar de grande doçura e destreza, sem querer violentar o espírito alheio; porque, de qualquer modo, nada se ganha tomando as coisas asperamente. O falar pouco, tão recomendado pelos antigos sábios, não se entende no sentido de que seja preciso dizer poucas palavras, mas de não dizer muitas inúteis; porque, em matéria de falar, não se olha à quantidade, mas à qualidade. E parece-me que é preciso fugir dos dois extremos: porque, quando alguém se faz demasiado de entendido e de severo, recusando-se a contribuir para as conversas familiares que se fazem nas conversações, parece que há falta de confiança ou alguma espécie de desdém; e tagarelar também e palrar sempre, sem dar aos outros nem vagar nem ocasião de falar à vontade, isso tem o seu quê de estouvado e de leviano.

Saint Louis ne trouvait pas bon qu’étant en compagnie l’on parlât en secret et en conseil, et particulièrement à table, afin que l’on ne donnât soupçon, que l’on parlât des autres en mal : « Celui, disait-il, qui est à table en bonne compagnie, qui a à dire quelque chose joyeuse et plaisante, la doit dire que tout le monde l’entende ; si c’est chose d’importance, on la doit taire sans en parler ».

São Luís não achava bom que, estando em companhia, se falasse em segredo e à parte, e particularmente à mesa, para que não se desse suspeita de que se falava mal dos outros: «Aquele, dizia ele, que está à mesa em boa companhia e tem a dizer alguma coisa alegre e agradável, deve dizê-la de modo que todos a ouçam; se é coisa de importância, deve-se calá-la, sem falar dela».

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