Parte V
Chapitre XI — Seconde considération : de l’excellence des vertus
Capítulo XI — Segunda consideração: da excelência das virtudes
V.11 Considérez que les vertus et la dévotion peuvent seules rendre votre âme contente en ce monde ; voyez combien elles sont belles. Mettez en comparaison les vertus, et les vices qui leur sont contraires : quelle suavité en la patience au prix de la vengeance ; de la douceur, au prix de l’ire et du chagrin ; de l’humilité, au prix de l’arrogance et ambition ; de la libéralité, au prix de l’avarice ; de la charité, au prix de l’envie ; de la sobriété, au prix des désordres ! Les vertus ont cela d’admirable, qu’elles délectent l’âme d’une douceur et suavité nonpareille après qu’on les a exercées, où les vices la laissent infiniment recrue et malmenée. Or sus donc, pourquoi n’entreprendrons-nous pas d’acquérir ces suavités ?
V.11 Considerai que só as virtudes e a devoção podem tornar a vossa alma contente neste mundo; vede como são belas. Ponde em comparação as virtudes e os vícios que lhes são contrários: que suavidade na paciência em comparação com a vingança; na doçura, em comparação com a ira e o despeito; na humildade, em comparação com a arrogância e a ambição; na liberalidade, em comparação com a avareza; na caridade, em comparação com a inveja; na sobriedade, em comparação com os desregramentos! As virtudes têm isto de admirável: deleitam a alma com uma doçura e suavidade sem igual depois que as exercitamos, ao passo que os vícios a deixam infinitamente exausta e maltratada. Eia, pois, por que não empreenderemos adquirir essas suavidades?
Des vices, qui n’en a qu’un peu n’est pas content, et qui en a beaucoup est mécontent ; mais des vertus, qui n’en a qu’un peu, encore a-t-il déjà du contentement, et puis toujours plus en avançant. O vie dévote, que vous êtes belle, douce, agréable et souève : vous adoucissez les tribulations et rendez souèves les consolations ; sans vous le bien est mal, et les plaisirs pleins d’inquiétude, troubles et défaillances. Ah ! qui vous connaîtrait, pourrait bien dire avec la Samaritaine : « Domine, da mihi hanc aquam : Seigneur, donnez-moi cette eau » ; aspiration fort fréquente à la Mère Thérèse et à Sainte Catherine de Gênes, quoique pour différents sujets.
Dos vícios, quem tem só um pouco não está contente, e quem tem muito está descontente; mas das virtudes, quem tem só um pouco já tem contentamento, e depois cada vez mais, à medida que avança. Ó vida devota, como sois bela, doce, agradável e suave: vós adoçais as tribulações e tornais suaves as consolações; sem vós o bem é mal, e os prazeres, cheios de inquietação, perturbações e desfalecimentos. Ah! quem vos conhecesse bem poderia dizer com a Samaritana: «Domine, da mihi hanc aquam: Senhor, dai-me dessa água»; aspiração muito frequente na madre Teresa e em santa Catarina de Gênova, embora por motivos diferentes.