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Parte V

Chapitre XIV — Cinquième considération : de l’amour éternel de Dieu envers nous

Capítulo XIV — Quinta consideração: do amor eterno de Deus para conosco

V.14 Considérez l’amour éternel que Dieu vous a porté ; car déjà avant que Notre Seigneur Jésus-Christ en tant qu’homme souffrît en croix pour vous, sa divine Majesté vous projetait en sa souveraine bonté et vous aimait extrêmement. Mais quand commença-t-il à vous aimer ? Il commença quand il commença à être Dieu. Et quand commença-t-il à être Dieu ? Jamais, car il Ta toujours été sans commencement et sans fin ; et aussi il vous a toujours aimée, dès l’éternité : c’est pourquoi il vous préparait les grâces et faveurs qu’il vous a faites. Il le dit par le Prophète : « Je t’ai aimée (il parle à vous, aussi bien qu’à nul autre) d’une charité perpétuelle ; et partant je t’ai attirée, ayant pitié de toi ». Il a donc pensé, entre autres choses, à vous faire faire vos résolutions de le servir.

V.14 Considerai o amor eterno que Deus vos teve; pois já antes que Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto homem, sofresse na cruz por vós, a sua divina Majestade vos concebia na sua soberana bondade e vos amava extremamente. Mas quando começou ele a vos amar? Começou quando começou a ser Deus. E quando começou a ser Deus? Nunca, pois sempre o foi, sem começo e sem fim; e assim também sempre vos amou, desde a eternidade: por isso vos preparava as graças e favores que vos fez. Ele o diz pelo Profeta: «Eu te amei (fala a vós, tanto como a qualquer outro) com uma caridade perpétua; e por isso te atraí, tendo piedade de ti». Ele pensou, pois, entre outras coisas, em vos levar a fazer as vossas resoluções de servi-lo.

O Dieu, quelles résolutions sont-ce ci, que Dieu a pensées, méditées, projetées dès son éternité ! Combien nous doivent-elles être chères et précieuses ! Que devrions-nous souffrir plutôt que d’en quitter un seul brin ! Non pas certes si tout le monde devait périr ; car aussi tout le monde ensemble ne vaut pas une âme ; et une âme ne vaut rien sans nos résolutions.

Ó Deus, que resoluções são estas, que Deus pensou, meditou, projetou desde a sua eternidade! Quão caras e preciosas nos devem ser! Que não deveríamos sofrer antes de abandonar um só fio delas! Não, decerto, nem que o mundo inteiro devesse perecer; pois também o mundo inteiro junto não vale uma alma; e uma alma não vale nada sem as nossas resoluções.

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